Qashqai e-Power Advance MY25: conduzimos o SUV híbrido da Nissan que será o campeão dos consumos na cidade

Este Qashqai e-Power confirma-se como uma boa opção sólida para quem privilegia a condução urbana e valoriza eficiência.

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Com um desempenho urbano que surpreendeu, o Qashqai voltou a mostrar-nos argumentos “mecânicos” fortes que contrastam com alguns problemas tecnológicos.

O renovado Qashqai e-Power, aqui na versão Advance MY25, reforça a coerência estética da gama SUV da marca, com uma frente marcada por ópticas LED alongadas e uma grelha em ‘V’ inspirada na armadura de um samurai, tal como escrevemos aqui. O resultado continua a ser uma presença assertiva e actual que pouco ou nada tem que ver com o que conhecíamos deste SUV da Nissan.

Debaixo do capot está um motor 1.5 associado à tecnologia e-Power, com 190 cavalos, que nos dá uns 0 aos 100 km/h em 7,9 segundos e que chega aos 170 km/h de velocidade máxima. Em teoria, os consumos situam-se nos 5,2 l/100 km, com uma autonomia que pode chegar aos 1200 quilómetros, embora, em condições reais, cerca de 900 seja um valor mais próximo da utilização habitual.

Na prática, o sistema híbrido revela-se particularmente eficaz em ambiente urbano, algo de que gostámos particularmente. A transição entre o modo eléctrico e o motor a combustão acontece com suavidade, embora o arranque nem sempre seja imediato.

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O carregamento da bateria mostra rapidez, mesmo fora do modo ‘B’, mas é precisamente este que se assume como a melhor opção para condução em cidade. O e-Pedal, por outro lado, deixou-nos com algumas reservas, já que a ausência de níveis intermédios de regeneração limita a personalização da condução.

Assim, sempre que ligámos esta opção, sentimos a travagem demasiado brusca, sobretudo em descidas ou em situações de pára-arranca, onde o efeito de desaceleração se torna mesmo desconfortável. A alternativa passa, então, por recorrer ao modo ‘B’, que oferece um equilíbrio mais natural e ainda regenera bem a bateria.

Foi isto que comprovámos em Lisboa, num trajecto de cerca de 25 minutos na Segunda Circular, entre Pina Manique e o aeroporto. Foi possível circular sempre em modo EV, cenário que se repetiu durante cerca de 40 minutos no centro da cidade. No final de cerca de 200 quilómetros percorridos, os consumos fixaram-se nos 2,9 l/100 km, com menos de um quarto de depósito gasto, algo inédito nos nossos testes com híbridos.

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No habitáculo, o Qashqai mantém uma abordagem distante do minimalismo, tal como é apanágio dos modelos japoneses, com vários botões físicos espalhados por toda a consola central e volante. A consola central, com um acabamento tipo fibra de carbono, inclui botões como o de e-Pedal, do modo ‘EV’ e o selector dos modos de condução — ‘Eco’, ‘Standard’ e ‘Sport’. A disposição dos botões físicos é funcional, com acessos directos para climatização, multimédia e câmaras, incluindo uma vista 3D eficaz.

Os bancos têm um certo estilo desportivo, são confortáveis e nota-se que, em todo o interior, houve cuidado com os materiais aplicados. Ainda assim, o volante não acompanha totalmente este nível de execução e parece estar um pouco à margem do toque mais premium deste SUV.

Mas é na tecnologia que o Qashqai se ressente: o sistema de infoentretenimento com ecrã de 12,3 polegadas, apesar de ter base Google, não está ao nível do que este modelo promete. O formato demasiado horizontal dificulta o acesso às funções posicionadas à direita e o design gráfico parece saído do Windows Vista, o que dá a ideia de estarmos perante uma interface de 2010. O melhor é usar sempre o Apple CarPlay ou o Android Auto.

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O sistema de avisos sonoros continua excessivo, com alertas frequentes cuja origem nem sempre é clara. A gestão destas notificações exige uma incursão exclusiva pelo painel de instrumentos, uma vez que no ecrã principal não há forma de aceder ao menu de ADAS. Contudo, o quadrante digital, de grandes dimensões, segue uma abordagem mais tradicional, que nos dá uma leitura clara e intuitiva, além de mudar consoante os modos de condução.

A nível de arrumação, também há margem para melhorias. A consola poderia integrar mais espaços úteis, já que fica limitada a dois suportes de copos e ao compartimento sob o apoio de braço, onde também se encontram as duas portas USB-C dianteiras (para os passageiros que viajam atrás, também há esta opção). Existe ainda carregador wireless Qi, que nos deixa o smartphone na horizontal, embora não funcione em modo ‘Eco’.

Visualmente, a combinação da cor Ceramic Grey Metalizada Especial (um opcional de 630 euros) com o tejadilho Solid Black e as jantes de 18 polegadas em corte diamante dão a este Qashqai um carácter elegante e desportivo, cujo preço final roça os cinquenta mil euros: 47 156.

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Este Qashqai e-Power confirma-se como uma boa opção para quem privilegia a condução urbana e valoriza a eficiência. É, no entanto, urgente corrigir o aspecto da interface digital e afinar alguns sistemas de assistência para que este SUV venha, em definitivo, para o presente.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].