The Code
The Code

The Code, o ginásio “clube de combate” onde a primeira regra é: ‘Falem do The Code’

Quando vi pela primeira vez um post patrocinado do The Code no Facebook, andava naquela altura da vida em que precisava de um novo desafio. Quatro meses depois, o que é, afinal, o The Code?

Logótipo a preto branco, capa do Facebook com dois modelos bem vestidos: ela tatuada, de soutien; ele de fatinho, relógio bling-bling e pulseiras O The Code parecia uma espécie de clube secreto onde a admissão aparentava ser reservada.

«Crack it. Find it». Era este o slogan na altura em que enviei um email a pedir mais informações. Tentei pesquisar mais sobre o The Code e o que me apareceu foi um site minimalista, sem morada sequer.

Percebi, depois, que isso fazia parte do mistério: a localização seria enviada por e-mail um dia antes da visita para conhecer as instalações. Estava a preparar-me para entrar num clube de combate, não tinha dúvida disso.

The Code Crack It

Quando cheguei ao ginásio, que afinal ficava nas Laranjeiras (mesmo ao lado da Academia de Golfe de Lisboa e do Centro de Ténis e de Padel do Estádio Universitário de Lisboa), comecei a perceber duas coisas.

Não era, de facto, um ginásio convencional e a pouca luz dava-lhe mesmo o ar misterioso que rodeou todo o processo até lá chegar. Vamos à primeira impressão: estava à espera de encontrar um ginásio, no essencial, como os outros: com máquinas e pesos.

Depressa fiquei a perceber que não era assim. O conceito do The Code assentava em duas salas e duas aulas: o Combust e o Collide, ambas com base em treino intervalado de alta intensidade. Não era bem isto que estava à procura, pois vinha de um ginásio completo e o que queria era a evolução na continuidade.

Contudo, dei o benefício da dúvida e acabei por comprar um pack de aulas – estávamos no início de Outubro e notava-se perfeitamente que o The Code ainda está em obras. Tanto que os balneários que podia usar eram os do Centro de Ténis e de Padel.

Esta situação, nada confortável (uma vez que o percurso obrigava a percorrer distância por fora) fez com que todo o mês de Outubro fosse gratuito para quem tivesse comprado aulas. O The Code, como não estava a funcionar a 100%, permitiu que todos os clientes pudessem fazer as aulas que quisessem.

Em Novembro, quando se previa que tudo voltasse a normalidade, houve uma ruptura num dos canos de água do balneário, o que nos obrigou mais uma vez, a usar as instalações do Centro de Ténis. Resultado: todo este mês voltou a ser de aulas à descrição para os clientes.

Ora, esta benesse parece ser irrelevante para quem frequenta outros ginásios, mas no The Code não é bem assim. Ao contrário do que acontece normalmente, em que a mensalidade permite livre-trânsito e frequência sem restrições de aulas, aqui há uma pequena diferença.

The Code Combust Collide

Ou melhor, duas pequenas diferenças, uma vez que existe uma dualidade na inscrição: ou compramos um pack de aulas que podemos “gastar” em três meses ou assinamos uma mensalidade com um número limite de aulas a frequentar em 25/26 dias de cada mês.

Comecei por comprar um pack de aulas e a minha primeira escolha foi o Combust. Esta aula, de 45 minutos, tem duas vertentes, sempre com blocos de cinco minutos – ora estamos a fazer exercícios numa passadeira, ora estamos numa box.

Nesta última, podemos fazer exercícios com peso corporal (abdominais, agachamentos, lunges, flexões, pranchas) ou usar pesos (4 a 14 kg), elásticos (duas resistências), uma slam ball (6 kg) ou dois kettlebells (12 e 16 kg).

De cinco em cinco minutos, rodamos de posto e a passagem de um lado para o outro tem trinta segundos de descanso. Há sempre um professor a dizer o que temos de fazer, normalmente sempre aos gritos, e música de discoteca bem alta. A sala é escura e há efeitos de luzes a acompanhar o ritmo.

Quem gosta muito do típico ginásio cheio de luz e de ouvir a sua própria música enquanto está no seu ritmos a fazer exercícios pode já começar a riscar o The Code da sua lista de ginásios a experimentar.

Se tiver a mente mais aberta, a adaptação a este ambiente de discoteca continua a ser complicado, mas passadas uma aulas já tudo parece tão normal que só nos vamos concentrar naquilo em que estamos a fazer. E, claro, nos gritos de «dá mais», «vamos, maltinha», «acelera, acelera» que professores e professoras nos fazem quase ao ouvido.

Para mim, isto tem um sabor “agridoce”: a ideia é funcionar como um incentivo, mas para mim costuma se demais. Às vezes, os professores não têm noção do que estão a pedir e a forma como insistem acaba por funcionar em sentido contrário: torna-se muito irritante.

A aula que me parecia menos atractiva foi a que me acabou por prender mais ao The Code: o Collide baseia-se no mesmo conceito de alta intensidade, música alta, luzes e ambiente de discoteca, mas aqui temos um saco de boxe e umas luvas. O objectivo é, como parece claro, aprender e usar algumas técnicas de combate, que andam entre o pugilismo e o kickboxing.

Esta aula é mais interessante que o Combust, desde logo porque tens mais acção e, por consequência, mais ritmo. Aqui não há paragens definidas por um relógio e somos nós que decidimos quando parar para beber água ou limpar o suor da cara. São 45 minutos sempre em alta intensidade.

The Code Collide

Mesmo assim, o Collide não é apenas bater no saco com ganchos, jabs, directos, uppercuts e pontapés. Também, de cinco em cinco minutos, alternamos entre combinações/técnica e exercícios de peso corporal, como burpees, abdominais e agachamentos. As luvas são emprestadas pelo The Code, mas quem já tiver pode levar as suas à vontade.

Aqui, os vários professores têm abordagens diferentes: há uns que duvidem a aula entre skills e drills; outros misturam muito os exercícios de peso corporal com golpes. Em algumas vezes, é-nos pedido que nos juntemos dois num saco para fazer uma pequena competição entre alunos, batendo em sentidos opostos.

Estas duas aulas são as únicas que existem para já no The Code, uma vez que o único espaço aberto é o das Laranjeiras; no ginásio do Saldanha vai haver uma sala para bicicletas (o Ride), mas a abertura deste local tem vindo a ser sucessivamente adiada – esteve para abrir no final do ano, passou para Janeiro e agora já vai no final de Fevereiro. Os clientes de um podem frequentar livremente o outro, o que será uma vantagem interessante.

Por falar em aulas, o The Code começa bem cedo: todos os dias às 7:30, alternando entre Combust e Collide, de segunda a sexta. À hora de almoço (12:45) temos o mesmo padrão e, depois, o ginásio só volta a ficar disponível às 19:30 e às 20:30 para duas aulas alternadas: Collide/Combust ou Combust/Collide.

Todos os clientes podem fazer as duas aulas seguidas e ao sábado também há sessão dupla, sempre de Collide e Combust (10:30 e 11:45). Ao domingo, o The Code encerra.

Das aulas passamos para os balneários, onde os cacifos funcionam por uma combinação de quatro algarismos: não é preciso chave nem cadeado. As toalhas (de banho e de aula) são dadas pelo ginásio e os duches têm amaciador, gel de banho e champô.

Mas há mais: há água micelar, tónico para a cara, desodorizante, espuma para o cabelo, discos de algodão, cotonetes e até rebuçados. Os espelhos parecem os de um camarim, rodeados por lâmpadas. Com paredes escuras e pouca luz, os balneários são diferentes do que se costuma ver noutro ginásios e fazem lembrar as comodidades que temos quando vamos para o hotel.

Só faltam mesmo os ganchos para pendurar a roupa, algo que foi prometido aquando da minha primeira visita mas que nunca aconteceu. Se o The Code é tão preocupado com detalhes, isto é algo que não pode faltar nesta área.

Outra coisa que foi prometida em Outubro mas que até hoje nunca aconteceu foi a plataforma online onde cada aluno poderia marcar aulas e escolher o seu saco de boxe (no Collide) ou o seu banco/passadeira (no Combust).

Assim, sempre queremos marcar uma aula temos de telefonar para o ginásio ou marcar a mesma presencialmente. Este é mais um detalhe que falha no The Code, já que até os ginásios low-cost já permitem este tipo de acção.

Depois de quatro meses neste ginásio (a pagar por débito directo uma mensalidade que me dá direito a doze aulas) passei a notar três situações onde penso que o The Code falha. A primeira é o facto de este ser mais um ginásio de complemento que um de primeira escolha.

Como apenas tem duas aulas, acaba por ser limitado naquilo que tem para oferecer. Tudo bem que, nas aulas, podemos fazer vários exercícios e até há algum equipamento para isso, mas quem vem de um ginásio puro e duro vai acabar por sentir que falta aqui qualquer coisa. E a verdade é que falta mesmo.

Falta, por exemplo, variedade. Muitos professores optam por dar sempre os mesmos exercícios em aulas sucessivas – em algumas quase que se pode acertar o relógio pelo que nos mandam fazer.

O facto de haver muita repetição acaba por fazer com que o corpo se habitue depressa a uma rotina – logo, babemos cada vez menos água e suamos menos; o corpo deixa de ter estímulo, porque fica habituado a fazer sempre a mesma coisa.

Isto não acontece num ginásio convencional, pois de tempos a tempos o plano muda e, em cada visita, podemos trabalhar grupos musculares diferentes ou experimentar mais que duas aulas. Isto leva-nos ao segundo grande problema do The Code.

Aqui não há seguimento dos clientes. Não nos fazem um teste para ver como estamos ao princípio e, passado algum tempo, outra análise para ver os resultados. Não há planos de treino, logo, cada um fica por si. Isto é mau, pois já vi que há muita gente que não tem a mínima noção do que está a fazer e, pior, se o que está a fazer é o ideal para a sua condição física.

Para acentuar ainda mais esta falha, são muito raras as vezes em que os professores corrigem exercícios mal feitos. Compreendo que numa aula onde costumam estar algumas pessoas (nunca fiz uma aula com sequer, metade das salas ocupadas e até já fiz algumas sozinho) é difícil dar atenção a todos. Mas ter alguém a fazer mal os exercícios, com posturas incorrectas, também não me parece ser uma boa política.

O terceiro problema é o facto de todas as aulas começarem do zero. Uma pessoa que ande no The Code há quatro meses começa cada aula da mesma forma como outra que se tenha inscrito no mesmo dia. A progressão é quase impossível, pelo que temos de ser nós a colocar a fasquia mais elevada a cada aula: e isso só se consegue de duas formas – ou ser mais rápido ou ser mais intenso.

Contudo, é frustrante entrar no Collide ou no Combust e ter de começar como se fossemos principiantes de HIIT ou de kick-boxing – é o resultado de termos aulas que têm de servir para toda a gente.

Depois de quatro meses e quase dezasseis semanas de treinos contínuos, qual é o balanço, afinal, de andar no The Code? Não estaria a dizer a verdade se dissesse que não senti diferença no corpo e que não gosto do ambiente deste ginásio.

As pessoas tratam-nos pelo nome e, como acontece comigo, parece que sou da casa. Não tenho qualquer queixa a fazer do pessoal da recepção, sempre muito atencioso e disponível para ajudar. É fácil entrar na família The Code.

Contudo, este é um ginásio caro (pago 53,40 euros/mês para fazer doze aulas, com um desconto de 40% por ter feito a inscrição em período de soft opening). Actualmente, há um desconto de 30% para novos clientes até 31 de Janeiro. As mesmas doze aulas ficam por 62,30 e o máximo, trinta, por 80,50 euros.

Aqui, na modalidade de pagamento mensal, o mínimo que podemos comprar são seis aulas por 34,30 euros. Se decidir optar por packs de aulas, saiba que tem um limite temporal para as usar. Por exemplo, cinco aulas têm de ser feitas em três meses: o preço é de 42 euros. O máximo que podemos comprar são 25 aulas por 157,50 euros.

Em Fevereiro, o mais provável é os preços subirem mas é natural que, por causa da abertura do espaço do Saldanha, o The Code faça mais descontos no preço dos packs e das mensalidades. Ao contrário de outros ginásios, não vai ser possível experimentar as aulas sem pagar (4,75 euros por duas aulas, mas houve quem tivesse pago 19), uma decisão infeliz dos responsáveis pelo ginásio.

O ideal, para quem gostar mesmo, é fazer as aulas do The Code e complementá-las com a frequência noutro ginásio (talvez um low cost) ou fazer outro desporto – natação, ténis ou padel, por exemplo, que ficam logo ao lado. Só como ginásio único, o The Code torna-se repetitivo e oferecer cada vez menos estímulo ao corpo.

Mas atenção: vai ser complicado largar um ginásio que, apesar de tudo, é diferente de tudo o que existe em Portugal no momento e que nos mete aquele bichinho no corpo de parecer que pertencemos ao Fight Club cá do sítio. E que precisa muito que falem dele para deixarmos de ser apenas cinco ou seis por aula.

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].