La La Land: a música que embalou os Globos de Ouro

O musical que juntou Emma Stone e Ryan Gosling no grande ecrã foi o grande vencedor da noite e estabeleceu um novo recorde: sete estatuetas de ouro.

A 74.º edição dos Globos de Ouro ficou marcada pelo recorde de prémios arrecadados por um filme, mas foi o discurso de Meryl Streep que acabou por se tornar no “actor principal” da cerimónia.

A actriz, que foi distinguida com o Prémio Carreira Cecil B. de Mille, criticou duramente Donald Trump, o próximo Presidente dos EUA, embora sem nunca ter referido o seu nome.

Meryl Streep evocou Trump ao dizer «a pessoa que se vai sentar no lugar mais respeitado dos EUA» e afirmou, com ironia, que o episódio em que Trump imitou um jornalista com deficiência a deixou «sem palavras».

A actriz lembrou ainda que «violência incita a violência» e que o factor de «pessoas com grande poder humilharem outras no espaço público» abre a porta para que qualquer um possa fazer o mesmo: «Quando alguém poderoso usa a sua posição para gozar e insultar outras pessoas, todos nós perdemos».

Streep concluiu o seu discurso com uma referência a Carrie Fisher, que morreu a 27 de Dezembro: «Como me disse a minha querida Princesa Leia, leva o teu coração partido e transforma-o em arte».

As referências a Trump não se ficaram pelo discurso de Meryl Streep: Jimmy Fallon, o anfitrião da cerimónia, comparou o magnata à personagem do rei Joffrey («como seriam as coisas se Joffrey tivesse sobrevivido? Bem, daqui a doze dias vamos saber…»), da série Guerra dos Tronos e lembrou que os Globos de Ouro era dos «poucos sítios onde os EUA ainda honram o voto popular», numa clara “bicada” à eleição de Trump.


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Hugh Laurie, que ganhou o Globo de Ouro para Melhor Actor Secundário num Filme para TV, também não poupou Trump no seu discurso: «Estou a ganhar um prémio na última cerimónia de sempre dos Globos de Ouro; não quero ser pessimista, mas este evento tem ‘hollywood’, ‘imprensa’ e ‘estrangeira’ no nome. Para alguns republicanos, até a palavra ‘associação’ tem um significado perigoso».

No que respeita aos prémios propriamente ditos, o grande vencedor foi La La Land, um filme que só chega a Portugal a 26 de Janeiro, e que conta a história de um pianista de jazz que se apaixona por uma aspirante a actriz.

Este romance entre Ryan Gosling e Emma Stone conquistou as preferências da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, que lhe atribuiu sete Globos de Ouro – ou seja, o filme de Damien Chazelle ganhou em todas as categorias para as quais foi nomeado (sete) e estabeleceu um record.

Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Canção Original, Melhor Banda-Sonora, Melhor Argumento, Melhor Actriz de Comédia ou Musical (Emma Stone), Melhor Actor de Comédia ou Musical (Ryan Gosling) e Melhor Realizador (Damien Chazelle).

A cerimónia, que é apelidada de ‘antecâmara dos Óscares’, costuma dar indicações sobre os vencedores dos prémios maiores de Hollywood e, se assim for em 2017, podemos ter aqui um caso sério no que respeita à La La Land.

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O irmão de Ben Aflleck estará na lista de nomeados para Melhor Actor, nos Óscares.

As nomeações dos Óscares são apenas conhecidas a 24 de Janeiro, e, na lista dos candidatos a Melhor Actor, é mais que certo que vai estar o vencedor do Globo de Ouro na mesma categoria: Casey Affleck, pelo seu desempenho em Manchester By The Sea.

Este filme, que muitos apontam como um dos grandes candidatos a vencer alguma estatueta dourada de Hollywood, falhou, contudo, o Globo de Ouro para Melhor Filme Dramático: Moonlight (Barry Jenkins) foi o vencedor.

Ainda no Drama, a Melhor Actriz foi Isabelle Hupert (Elle, Paul Verhoeven, filme que conquistou o globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro). Ainda nos prémios relativos ao cinema, Zootopia foi o Melhor Filme de Animação.

Viola Davis (por Fences, Denzel Washington) e Aaron Taylor-Johnson (por Nocturnal Animals, Tom Ford) foram os vencedores para melhor desempenho em papéis secundários.

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Hugh Laurie, Tom Hiddleston e Olivia Colman ganharam Globos de Ouro pelos seus papéis no filme para TV The Night Manager.

Do cinema para a televisão, também se pode falar num vencedor da noite, The Night Manager, um filme original da AMC que conta a história de um gerente de um hotel do Cairo que é recrutado para se infiltrar numa rede de tráfico de armas.

Este filme para TV conquistou os Globos de Ouro nas categorias de Melhor Actor (Tom Hiddleston), Melhor Actriz Secundária (Olivia Colman), Melhor Actor Secundário (Hugh Laurie), mas falhou o de Melhor Filme para TV ou Série Limitada, que foi para American Crime Story, produção que também levou o Globo para Melhor Actriz (Sarah Paulson)

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A britânica Claire Foy foi “coroada” como a Melhor Actriz Dramática pelo seu desmepenho na série original Netflix The Crown.

No que respeita às séries de TV, Atlanta e The Crown levaram dois Globos, cada: Melhor Actor para Donald Glover e Melhor Série Musical ou Comédia para a primeira e Melhor Série Dramática (levou a melhor sobre Game of Thrones, Westworld, Stanger Things, This is Us) e Melhor Actriz (Claire Foy), para a segunda.

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Donald Glover, ao centro, foi o Melhor Actor numa Série de Comédia ou Musical: Atlanta.

Tracee Ellis Ross (Melhor Actriz Série Musical ou Comédia, em Black-ish) e Billy Bob Thornton (Melhor Actor Dramático, em Goliath) completam os vencedores da edição de 2017 dos Globos de Ouro.

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].