A temporada 2026/2027 marca o reencontro do D. Maria II com a sua casa histórica. Na programação estão clássicos, criações contemporâneas e projectos participativos.
Quase três anos depois de fechar portas para obras de requalificação, o Teatro Nacional D. Maria II prepara-se para voltar a abrir as portas, no Rossio, com uma temporada que se estende de Setembro de 2026 a Julho de 2027.
A reabertura coincide também com as celebrações dos seus 180 anos e surge após três anos de Odisseia Nacional, uma iniciativa que levou espectáculos e actividades a todo o País durante o período em que o D. Maria II esteve sem casa.
Para Rui Catarino, presidente do conselho de administração do D. Maria II, voltar ao Rossio não é, contudo, «regressar ao centralismo», mas antes uma oportunidade para reforçar a missão do teatro: «Celebrar 180 anos é perguntar o que deve ser uma instituição pública de cultura e o que deve ser para a democracia. Que País queremos ajudar a construir. Uma sociedade construída por comunidades justas e livres».

Rui Catarino recordou ainda os anos em que o teatro esteve afastado da sua sede histórica: «Percebemos que o teatro não deixa de ser teatro sem as suas salas físicas. Trabalhámos em trânsito, em geografias diversas. Foram três anos de Odisseia Nacional e garantimos todos os dias a existência vital de um teatro sem casa».
Já Pedro Penim, director artístico do D. Maria II, destacou a importância de criar experiências que contrariem a fragmentação da atenção característica do presente: «O teatro é feito de estreias, mas também da permanência. O que nos entusiasma é o regresso a espectáculos que permanecem em cena durante várias semanas e que podem inscrever-se na memória colectiva.»
Segundo o director artístico, esta temporada vai estabelecer pontes entre diferentes comunidades e linguagens artísticas: «Temos de criar pontos de contacto entre diferentes comunidades e diferentes formas de arte. A criação contemporânea vai ocupar o teatro, mas tem de conviver com os clássicos, que temos a responsabilidade de transmitir às gerações seguintes».

O director artístico sublinhou igualmente a forte presença feminina na programação, com criadoras como Sara Carinhas (foto em cima), Beatriz Batarda e Sara Barros Leitão, e defendeu o teatro como um espaço de imaginação e transformação: «É um lugar de imaginação, mais que de representação. Aqui, a sociedade pode olhar para si própria e perguntar quem é. A palavra que melhor define este momento é ‘possibilidade’: a possibilidade de regressar, imaginar e transformar».
O reencontro do público com a Sala Garrett será assinalado por ‘Macbeth’, de William Shakespeare, com encenação de Pedro Penim e interpretação de José Raposo, entre 18 de Setembro e 31 de Outubro. A escolha da obra tem um significado histórico especial: foi precisamente a peça que estava em cena quando ocorreu o incêndio de 1964 que destruiu o antigo edifício do D. Maria II. Pedro Penim descreveu esta nova produção como o «trabalho mais doloroso» da sua vida.
O fim-de-semana inaugural (18 a 20 de Setembro) será dedicado ao programa ‘Prólogo’, que marca oficialmente a reabertura do teatro ao público e que já tinha sido anunciado no início de Junho.

Entre os principais destaques de 2026 está, ainda, ‘A Cantora Careca’, com encenação de Beatriz Batarda (26 de Novembro a 13 de Dezembro) e texto de Eugène Ionesco, uma produção que envolve jovens actores e estagiários da temporada 2026/2027. Também em Dezembro, temos ‘Suplicantes’, uma criação de Sara Barros Leitão a partir de Ésquilo, que estará na Sala Garrett entre 11 e 13 de Dezembro.
O início de 2027 será marcado pelo Foco Lígia Soares (foto em cima), que reúne ‘Memorial’, ‘Cinderela’, ‘Romance’ e ‘Dressing Room’ ao longo do mês de Janeiro. O arranque do novo ano faz-se ainda com a produção internacional ‘Barber Shop Chronicles’ (28 a 30 de Janeiro) e ‘Pessoas, Lugares e Coisas’ (6 a 27 de Fevereiro), de Duncan Macmillan, com encenação de Sara Carinhas.
Março traz outra peça que, a par de ‘Macbeth’, pode ser um dos blockbusters da temporada 26/27 do D. Maria II: ‘O Fantasma de D. Maria II’, uma criação da dupla Hugo van der Ding e Martim Sousa Tavares, no seguimento de ‘O Misantropo’. Encenada por Mónica Garnel, será uma comédia assente numa «viagem pela história e pela memória do próprio Teatro Nacional», disse Pedro Penim.

Na recta final há dois espectáculos criados por vencedores do ‘Prémio Revelação’ do D. Maria II: ‘Blackface’, de Marco Mendonça; e ‘Ajoelha-te e Diz-me Que Me Amas’, de Mário Coelho. A programação completa pode ser vista aqui.


















