Quake: o museu que nos leva a passear por Lisboa durante o terramoto de 1755 – e que parece um filme

©Quake
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Mesmo ao lado do Museu dos Coches, em Belém, fica um dos museus mais surpreendentes de Lisboa. O Quake vai além do tradicional: é uma experiência histórica.

Maria João Marques e Ricardo Clemente não têm um percurso ligado à História, nem ao Turismo, mas depois de vários anos em viagem e de verem que o conceito existia em vários países, decidiram que Lisboa tinha de ter um museu diferenciador.

«Percebemos logo que tinha de ser uma experiência emotiva, tinha de mexer com as emoções das pessoas; temos de sair de um museu como se saíssemos de um filme, com a alma cheia e emocionados – as emoções têm de lá estar», conta Maria João Marques, co-fundadora do Quake.

Depois de «sete anos de trabalho», o resultado é, talvez, o museu mais interactivo de Lisboa – vai muito além do simples espaço que mostra peças antigas e históricas, com um placa a explicar o que são.

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©TRENDY | O Quake fica em Belém, ao lado do Museu dos Coches; tem 1800 metros quadrados, três pisos e foi construído de raiz – o investimento foi de oito milhões de euros.

«Aqui há toda uma vertente histórica, científica, cultural e até uma componente ligada a protecção civil, tudo comunicado de forma imersiva e divertida»; o projecto teve o envolvimento de uma equipa multidisciplinar de que fizeram parte o historiador André Canhoto e os sismólogos Luís Matias e Susana Custódio», ambos da Faculdade de Ciências de Lisboa.

Esta foi a “receita” para que o Quake, apesar de ser uma experiência, em grande parte, de entretenimento, tivesse o «máximo rigor histórico e científico», garante Maria João Marques. «Nunca brincámos com este tema e era muito fácil ter transformado isto numa espécie de experiência da Disney».

No Quake, o público-alvo são as crianças. O museu está assente numa história que faz lembrar um filme de aventuras; as situações são explicadas de forma simples e clara, para que sejam facilmente compreendidas pelos mais novos. Aliás, o museu foi criado com esta premissa: «Tivemos sempre a ambição de mudar o paradigma, de como é que estas novas gerações vêem os museus».

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©Quake | O museu tem uma área mais científica, dedica a experiências interactivas que explicam como funcionam os sismos.

Em traços gerais, e sem estar a revelar grandes detalhes de como a visita (ou a experiência) é feita no Quake – um pedido de Maria João Marques e Ricardo Clemente – há uma história protagonizada por um cientista estudioso do terramoto de 1755, que acaba por envolver os visitantes em treinos para situações de sismo e viagens no tempo.

Com um misto de museu científico (onde podemos fazer experiências, perceber como funcionam os terramotos e como as estruturas podem ser construídas para resistir a sismos) e um modelo muito ligado a uma escape room, o Quake tem o clímax quando entramos na Lisboa de 1755 para “viver” o momento exacto do terramoto (o realismo é tão detalhado que são recriados os três abalos) e o ambiente que se seguiu à destruição da cidade.

Há cenários (muito realistas) que recriam as ruas da capital antes e depois do sismo, para que nos sintamos envolvidos numa realidade com mais de trezentos anos e que vai (muito) além de vermos um filme – aqui, sentimo-nos como se estivéssemos a entrar num.

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©Quake | A atenção aos detalhes foi uma das principais preocupações do Quake – há salas que parecem sets de cinema.

No fim, Maria João Marques quer que, além de as pessoas saírem com a sensação de que estiveram mesmo na Lisboa de 1755, possam saber o que se deve fazer para se prepararem para um sismo: «Criar um kit de emergência em casa, e saber o que fazer, é um dos objectivos desta experiência» – até porque Lisboa será atingida por um novo terramoto, a «dúvida não é se, mas sim quando».

O Quake abriu a 20 de Abril esta semana e os bilhetes podem ser comprados no site: os adultos pagam 12,50 euros e as crianças (até aos dez anos), 8,75 euros.

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].