Tucson 1.6 T-GDi Black Edition: conduzimos o SUV a gasolina da Hyundai que se “despede” da quarta geração com um visual mate de caça-furtivo

Com uma nova geração no horizonte, este Tucson mostra que esta ainda tem alguns argumentos.

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Com a quinta geração já no horizonte, voltámos ao volante do SUV da Hyundai para uma “última dança”, desta vez sem qualquer ponta de electricidade.

Quando vimos, pela primeira vez, o Tucson Black Edition no parque de imprensa da marca, ficámos com a ideia de que estava ali um modelo para custar entre 40 e 50 mil euros. Bastava olhar para a carroçaria no tom mate Pine Green (um verde escuro), uma cor que lhe dá um ar quase militar, próximo do de um caça-furtivo, para perceber que esta versão estava vários furos acima das que já tínhamos testado.

Apesar de nos parecer mais um cinzento escuro, esta é uma tonalidade que assenta particularmente bem nas linhas angulares deste SUV e que lhe dá uma imagem de exclusividade pouco habitual num modelo que, percebemos mais tarde, está na entrada de gama do Tucson – mas já lá vamos.

O terceiro teste a este modelo (depois do PHEV 1.6 T-GDi, em Junho de 2024, e do PHEV 1.6 e-Vanguard, em Março deste ano) será, muito provavelmente, o nosso último encontro com a quarta geração do campeão de vendas da Hyundai. A marca coreana já mostrou o sucessor, que vai trazer uma mudança profunda para 2027, com uma proposta visual mais futurista, pelo que esta versão, a MY26, surge numa altura de transição.

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Desta vez, deixámos a electrificação de lado: temos um motor exclusivamente a gasolina, uma caixa manual e uma experiência de condução mais convencional, numa gama (1.6 T-GDi de 148 cavalos) agora reduzida a duas versões: Black Edition e Vanguard. Com o desaparecimento da Premium, a primeira passou a assumir o papel de entrada de gama, por 32 190 euros. Contudo, há um pormenor estético que pode tornar esta versão mais interessante que a Vanguard: é a única que permite escolher a pintura mate Pine Green, precisamente a da unidade que testámos.

Esta personalização custa 930 euros, o que a torna a mais cara do catálogo da Hyundai. As restantes cinco cores (de forma simplista: branco, cinzento, azul, prata e preto) custam 730 euros cada uma, mas nenhuma consegue dar ao Tucson a mesma presença visual desta em mate. Assim, a factura desta unidade sobe para os 33 120 euros.

Fora isto, todo o restante design é-nos familiar. O Tucson mantém as superfícies vincadas, as linhas muito direitas e os ângulos pronunciados que fazem parte da identidade desta geração. Não vamos repetir tudo o que já dissemos nos ensaios anteriores, mas vale a pena sublinhar que esta carroçaria continua a ter uma presença marcante na estrada. A pintura mate acentua ainda mais as formas geométricas, uma vez que lhes retira os reflexos brilhantes, enquanto as jantes de liga leve de 19 polegadas, exclusivas da Black Edition, completam um look que parece ser o de uma versão mais cara. Curiosamente, as jantes da Vanguard ficam-se pelas 18.

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No habitáculo, a Black Edition vem com tons escuros no revestimento do tablier e das portas, mas, além disso, não há muitas mais diferenças a apontar. As semelhanças com o PHEV que testámos em Março são tão evidentes que quase poderíamos transcrever a descrição que fizemos. Há, naturalmente, as tais diferenças de acabamentos, mas a arquitectura, a organização dos comandos e a qualidade geral mantêm-se praticamente inalteradas.

Quando olhamos para a consola central, notam-se as diferenças mais óbvias: temos a manete das mudanças (seis velocidades) e apenas um botão, do lado esquerdo, que serve para alternar entre os três modos de condução, ‘Eco’, ‘Normal’ e ‘Sport’; à direita, fica uma fila com um trio de botões: activar o auxílio de travagem em descida ou aceder aos sensores de estacionamento e às câmaras. Tudo está ao alcance da mão e dispensa viagens desnecessárias pelos menus do sistema de infoentretenimento.

A consola, como nos outros Tucson, está bem organizada, com uma base de carregamento sem fios Qi, dois suportes para copos e um compartimento de arrumação sob o apoio de braços. A qualidade dos materiais também merece uma nota positiva. Existem superfícies macias, revestimentos em pele e tecido e poucos plásticos rígidos à vista, o que contribui para uma sensação de conforto e solidez.

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Os bancos, revestidos em tecido nesta Black Edition, são confortáveis e oferecem um bom apoio. Já os encostos de cabeça, como nos outros modelos, têm um formato de cone invertido que não está em linha com a restante classe do habitáculo. Não percebemos muito bem esta escolha estética da Hyundai, sobretudo num interior onde praticamente tudo parece ter sido pensado com cuidado.

Face à Vanguard, há, também, algumas concessões: os bancos dianteiros deixam de ter regulação eléctrica e aquecimento, o volante também não é aquecido e a porta da bagageira tem abertura manual. O painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas acompanha um ecrã táctil da mesma dimensão, dedicado ao sistema de infoentretenimento, com navegação e serviços Bluelink. Por baixo, o Tucson mantém ainda um conjunto de atalhos físicos para funções como ‘Mapa’ ou ‘Media’ e um painel com botões sensíveis ao toque dedicado à climatização.

Mas nem tudo funciona sem espinhas. O sistema de rádio continua a ser um exemplo de como uma tarefa simples pode tornar-se desnecessariamente complicada. Para mudar de estação através dos comandos rápidos, é preciso que as rádios estejam previamente guardadas nos favoritos. Caso contrário, temos de abrir a aplicação de rádio no ecrã principal para percorrer as frequências. É uma solução pouco prática, sobretudo quando estamos a conduzir, e que merecia ser revista.

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Depois de dois Tucson híbridos plug-in, regressar a uma versão exclusivamente a gasolina é quase um exercício de memória. Aqui não há um motor eléctrico para ajudar nas acelerações, nem uma transmissão automática que trate das mudanças por nós. É back to basics: três pedais, uma caixa manual de seis velocidades e um motor que exige uma participação mais activa do condutor. Na prática, é um SUV que desenvolve relativamente bem.

É esta característica que pode agradar a quem ainda prefere uma condução mais tradicional. Há um envolvimento diferente quando temos de trabalhar com a caixa e gerir a resposta do motor, em vez de simplesmente carregar no acelerador e deixar que a electrónica faça o resto. O Tucson não transforma esta experiência em algo particularmente emocionante, mas também não tem de o fazer. É um SUV confortável, previsível e competente, que cumpre a sua função sem complicações.

A Hyundai anuncia um consumo combinado de 7,1 l/100 km para a Black Edition, ligeiramente abaixo dos 7,2 l/100 km da Vanguard, algo que achamos ser mais um preciosismo que outra coisa. No nosso ensaio, fizemos quase 130 quilómetros, sobretudo em ambiente urbano, e terminámos com uma média de 7,9 l/100 km. São mais 0,8 litros do que o valor combinado anunciado pela Hyundai, um resultado bastante aceitável para um SUV destas dimensões, equipado exclusivamente com um motor a gasolina.

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A grande vantagem da Black Edition está na relação entre preço, equipamento e design. Por 33 120 euros, ficamos com um Tucson de 148 cavalos, caixa manual, dois ecrãs de 12,3 polegadas, climatização automática de duas zonas, navegação, carregamento sem fios e jantes de 19 polegadas. Não é, por isso, uma proposta de equipamento assim tão básico, apesar de ocupar agora a posição de entrada de gama.

A Vanguard acrescenta alguns elementos de conforto, como os estofos em pele, os bancos dianteiros eléctricos e aquecidos, o volante aquecido e a porta da bagageira eléctrica. No entanto, não oferece qualquer vantagem mecânica relevante, já que o motor, a potência, a caixa e a tracção são os mesmos. Por isso, a Black Edition parece-nos uma escolha particularmente sensata, mesmo com a pintura Pine Green mate.

Com uma nova geração no horizonte, este Tucson mostra que esta ainda tem alguns argumentos. Não é o SUV mais emocionante que conduzimos, nem traz grandes novidades face aos híbridos que já passaram pelo TRENDY Report, mas é um SUV honesto e não exige a mudança de hábitos para quem continua a preferir um automóvel exclusivamente a gasolina.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].