O novo menu de sushi do Akla convence nas entradas e no sushi, mas tropeça no ramen… e nos preços.
No Dia Internacional do Sushi o Akla (InterContinental Lisboa) apresentou um novo menu de almoço dedicado à cozinha japonesa. Disponível de Terça-Feira a Domingo, entre as 12 e as 15 horas, reúne onze propostas que vão das gyosas ao ramen, com sobremesas inspiradas em sabores nipónicos.
À primeira vista, a carta parece relativamente acessível: há opções desde os 9 euros e o prato mais caro custa 26. Mas basta fazer algumas contas para perceber que um almoço para duas pessoas sobe rapidamente de valor.
Uma dose de gyosas (9 euros), um sashimi (12 euros), um combinado de sushi (26 euros) e um ramen (26 euros) metem logo a conta para 73 euros. Se juntarmos uma sobremesa para partilhar e uma garrafa de vinho, facilmente ultrapassa os 120. É verdade que estamos num hotel de cinco estrelas, com um ambiente elegante e um serviço irrepreensível, mas os preços acabam por ficar um pouco acima do habitual.

Começámos pelas gyosas, disponíveis nas versões de frango e vegetariana, que chegam à mesa com a base tostada no ponto certo, mas com a restante massa leve e macia. Este prato é servido com sementes de sésamo, cebolinho, maionese japonesa, molho teriyaki e um toque de manjericão, enquanto um ligeiro picante equilibra a gordura do recheio e acrescenta personalidade ao prato. São simples, mas muito bem executadas, pondo em causa as melhores que alguma vez tínhamos provado, no Ajitama.
O sashimi segue a mesma linha: as seis peças — duas de atum, duas de salmão e duas de peixe-manteiga — revelam boa qualidade e frescura. Acabam por ser um bom aperitivo para o verdadeiro destaque da refeição: o combinado de sushi. Com quinze peças, este prato chega com uma selecção variada qb, com a estrela ser o nigiri de salmão com pickle de cebola.
Mas também ficámos de olho nos uramaki de arroz negro com abacate, salmão e polvo. Aqui, o peixe apresentou-se fresco, o arroz tinha a consistência certa e notava-se uma delicadeza evidente na confecção de cada peça. Aliás, o Akla devia ter mesmo ficado pelo sushi e dar mais opções neste campo.

O ramen de frango servido, apesar da apresentação cuidada — com finas lascas de atum seco que dançam sobre o caldo graças ao calor —, rapidamente se percebe que a estética não é tudo. O caldo não tem a profundidade e riqueza de sabores que se espera de um bom ramen (como os do Ajitama), a massa não convence e o frango, igualmente sem sabor, também pouco acrescenta.
Acabámos por recorrer ao sal (muito, mesmo) e ao picante para tentar dar mais intensidade ao prato, algo que dificilmente deveria acontecer num prato de 26 euros. Nem a colher ajuda: em vez da habitual, funda, usada para ramen, o restaurante opta por uma pequena colher de porcelana semelhante às utilizadas para sopa em restaurantes chineses, o que nos obrigou a recorrer à faca e ao garfo (heresia) – este é pequeno-grande detalhe que acaba por retirar autenticidade à experiência.
Já as sobremesas encerraram a refeição num bom plano, embora com resultados distintos. A Pavlova de Yuzu aposta num registo assumidamente guloso, onde o cremoso de yuzu e as chamadas “telhas de framboesa” equilibram o doce com alguma acidez. Os mochis, disponíveis em pistácio, framboesa e manga, destacam-se pela massa particularmente fina e delicada, embora pudessem chegar à mesa um pouco mais frescos.

A estrela da sobremesa é, no entanto, o Mil Folhas de Matcha, que vale muito os dez euros pedidos pelo Akla. A massa folhada mantém-se estaladiça, enquanto o creme diplomata de matcha, o gel de yuzu e a ganache de chocolate branco criam uma opção muito equilibrado, onde sobressai um agradável sabor cremoso a pistácio. Foi, sem dúvida, a melhor das três propostas.
Saímos deste almoço com uma sensação agridoce. O restaurante mostra que sabe trabalhar o sushi e apresenta algumas propostas de excelente nível, sobretudo no combinado e nas entradas. No entanto, o ramen desilude claramente e o valor final da refeição coloca a fasquia muito alta.


















