Os The War on Drugs transformaram o NOS Alive numa viagem pela América profunda, entre memórias e alguns dos maiores hinos do rock alternativo

Na verdade, a força dos The War on Drugs está muito na forma como as músicas "respiram" em palco.

©TRENDY Report | War on Drugs
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Quatro anos depois de terem actuado no Palco NOS, os The War on Drugs regressaram a Algés com um concerto mais intimista e que fez parte da actual digressão europeia.

Uma das mais singulares bandas do rock alternativo contemporâneo voltou a picar o ponto no NOS Alive, desta vez num palco secundário (o Heineken) que, pelas bandas que tem recebido nos últimos anos, nem parece ser de segunda linha.

Vindos de uma sequência de grandes festivais europeus — passaram por Werchter, Londres, Dublin e Madrid antes de aterrarem em Algés — os The War on Drugs chegaram ao NOS Alive sem um novo álbum para promover. Adam Granduciel revisitou os discos que transformaram a banda numa das referências do rock alternativo contemporâneo, ao equilibrar a melancolia de ‘Lost in the Dream’ com a maturidade de ‘A Deeper Understanding’

Pelo meio, entra, ainda, o optimismo contido de ‘I Don’t Live Here Anymore’ (lançado em 2021). Na verdade, a força dos The War on Drugs está muito na forma como as músicas “respiram” em palco. Cada tema cresce lentamente, quase sem pressa e Adam Granduciel continua a cantar como quem narra memórias.

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‘Harmonia’s Dream’, inspirada na procura de libertação das pressões do quotidiano, abriu caminho para um alinhamento onde também surgiram temas como ‘Pain’ (uma reflexão sobre ansiedade, desgaste emocional e recuperação) ou ‘Under the Pressure’, talvez a música que melhor representa a capacidade da banda para transformar a inquietação numa catarse colectiva.

Pelo meio, nunca faltaram os longos solos de Granduciel: mais que demonstrações do seu virtuosismo, serviram para prolongar o estado hipnótico em que a banda gosta de colocar o público. Os minutos finais ficaram reservados para os dois momentos mais aguardados da noite. Primeiro, ‘I Don’t Live Here Anymore’, que deixou de ser apenas um tema sobre o fim de uma relação para se assumir como um hino à mudança e à necessidade de seguir em frente.

Depois, ‘The Strangest Thing’, um dos temas mais marcantes de ‘A Deeper Understanding’, uma música que parte de uma reflexão sobre perseverança, vulnerabilidade e que serve de imagem de marca para a banda. Com este tema, temos sempre um crescendo lento que “desagua” num longo solo de guitarra, um dos pontos altos do concerto.

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De resto, foi um final à imagem dos The War on Drugs: sem explosões artificiais, nem pressa de chegar ao fim. No segundo dia do NOS Alive, a banda envolveu completamente o público e confirmou que continua a encontrar, ao vivo, a sua expressão mais completa. E isto nota-se muito mais num palco assumidamente mais intimista que o principal.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].