Teatro da Trindade apresenta uma temporada onde cabem a crise da habitação, dramas familiares, traições e… a pior cantora do mundo

A temporada arranca a 9 de Setembro com o regresso de 'Clube dos Poetas Mortos'; mas a primeira novidade é a peça vencedora do Prémio Miguel Rovisco.

©TRENDY Report | Trindade 26/27
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Com mais de oitenta mil espectadores, até ao momento, na temporada 25/26 e resultados financeiros positivos, o Teatro da Trindade prepara um novo ano em que o destaque vão ser as comédias.

Habitação, relações amorosas, memória, fama, fracasso, identidade e família: a temporada 26/27 do Trindade abordará alguns dos «grandes temas do presente» com espectáculos de «autores contemporâneos, textos consagrados e novas criações nacionais». A isto juntam-se concertos, stand-up comedy, visitas guiadas e conversas com artistas.

A nova programação foi apresentada hoje e ficou igualmente marcada pelo anúncio da recondução de Diogo Infante como director artístico por mais três anos. A decisão surge após uma temporada que registou cerca de «oitenta mil espectadores e resultados financeiros positivos», disse o actor e encenador, números alcançados num projecto que «continua a depender exclusivamente das receitas de bilheteira», ressalvou Hugo Paulito, director executivo do Trindade.

Foi este trabalho que Eduarda Marques, vice-presidente do Conselho de Administração da Fundação Inatel, destacou durante a apresentação. A responsável afirmou que, sob a direcção de Diogo Infante, o teatro viveu «um dos períodos mais dinâmicos» da sua história recente, ao conseguir conciliar «propostas artísticas diversificadas, sustentabilidade financeira e crescimento de públicos».

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Para Diogo Infante, os resultados alcançados são consequência de um trabalho colectivo: «O segredo do sucesso é o compromisso com um projecto que assenta na sustentabilidade, na mobilização de toda a equipa, na capacidade de atrair talento artístico e técnico e na confiança conquistada junto do público».

O director artístico descreveu ainda a nova temporada como «um convite à reflexão enquanto povo», onde a comédia vai ter o papel principal: «Há vários registos de humor para colocar sorrisos na cara das pessoas e ajudar a superar as dificuldades do dia a dia».

Um dos destaques da programação é algo que já se sabia, descrito por Diogo Infante como o «segredo mais mal guardado» da nova temporada: ‘Clube dos Poetas Mortos’ vai ficar em cena até Dezembro, depois de uma procura de bilhetes que o director artístico classificou como «avassaladora».

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O espectáculo, que já teve cerca de 55 mil pessoas a assistir, tem apenas «cinco mil lugares disponíveis» até ao final do ano. Em Janeiro, o ‘Clube dos Poetas Mortos’ segue para o Teatro Sá da Bandeira, no Porto, antes de iniciar uma digressão nacional, que passa por Leiria e Águeda, entre outras cidades. «Sou um dos homens mais felizes do mundo por continuar esta aventura», afirmou Hélder Gamboa, encenador da peça.

Em relação a novidades propriamente ditas, a temporada arranca a 10 de Setembro, na Sala Estúdio, com ‘Uma Casa, Com Certeza’, num texto de Constança Bourgard (foto em cima), vencedora da oitava edição do Prémio Miguel Rovisco. Com encenação de Miguel Fragata, a peça parte de uma questão que atravessa uma geração inteira: «O que significa ter uma casa hoje?»

A história acompanha um casal que consegue comprar habitação no centro de Lisboa, enquanto a «construção de um projecto comum entra em conflito com as fragilidades da própria relação», descreveu Constança Bourgard. «Mais que apresentar respostas, o espectáculo quer abrir espaço para perguntas sobre os modelos de vida herdados e a possibilidade de construir uma vida a dois no contexto actual», concluiu a vencedora do Prémio Miguel Rovisco.

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Depois, a 19 de Novembro, é a vez de ‘Sob Pressão’ (foto em cima), adaptação portuguesa de ‘Perigo: Memória!’ (de Arthur Miller, 1986) subir ao palco da Sala Estúdio. Com Cristina Carvalhal na dramaturgia e encenação, e interpretações de Cucha Carvalheiro e João Maria Pinto, esta peça será uma adaptação do texto original «para a realidade portuguesa».

O mês de Fevereiro traz duas estreias consecutivas. No dia 17 será ‘Barbara’, um monólogo de Michelle Ferreira inspirado no livro ‘A Saideira’, autobiografia da jornalista brasileira Barbara Gancia. Com encenação de Flávio Gil e interpretação de Patrícia Tavares, a peça revisita uma vida marcada «pelos excessos alcoólicos e pela reinvenção».

No dia seguinte, a Sala Carmen Dolores recebe ‘La Nonna’, um «clássico» do dramaturgo argentino Roberto Cossa. A encenação é assinada por Marco Medeiros e o elenco reúne Maria Rueff, Ana Rita Tristão da Silva e Rui Melo, entre outros, numa das «mais conhecidas sátiras sociais do teatro latino-americano».

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Mais novidades, só em Maio: no dia 13 estreia ‘Vidas Íntimas’, de Noël Coward, uma comédia de costumes escrita em 1930 que «explora as complexidades das relações amorosas através do humor e da ironia». O espectáculo conta com encenação de Elmano Sancho e interpretações de Susana Blazer, Inês Castel-Branco, Carlos Malvarez e do próprio encenador.

Uma semana depois, a 20 de Maio, estreia ‘Florence’ (foto em cima), de Peter Quilter, com encenação de Diogo Infante. A peça recupera a história de Florence Foster Jenkins, uma socialite que «entrou para a história da música pela ausência de talento vocal»; Luísa Cruz assume o papel principal, acompanhada em palco por Paulo Pires. O autor britânico «deverá marcar presença na estreia portuguesa», avançou Diogo Infante.

A programação do Trindade volta, também, a estender-se além do teatro. A música e o humor ocupam um lugar de destaque ao longo da temporada, com Anabela (foto em baixo) a celebrar 40 anos de carreira no dia 22 de Setembro, data em que assinala igualmente o seu 50.º aniversário, através da apresentação de um novo álbum de originais. Seguem-se Viviane, com ‘Ela por Elas’, a 6 de Outubro.

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No stand-up, estão confirmadas as actuações de Dário Guerreiro com ‘Vou Ficar’ a 13 de Outubro e Guilherme Fonseca leva ao Trindade ‘Amigável’ a 20 do mesmo mês. A 24 de Novembro será a vez de um concerto dos Miramar (Frankie Chavez e Peixe) e, a 15 de Dezembro, mais stand-up com Diogo Faro e ‘Massa Mãe’. Já em Março de 2027, mais um concerto, desta vez com Elisa e Tiago Nogueira.

Entre as novidades surge ainda o ciclo ‘Conversas à Parte’, com entrada livre e moderação de Sónia Castro: entre Outubro de 2026 e Julho de 2027, actores das peças da nova temporada do Trindade – Virgílio Castelo, Cucha Carvalheiro, Patrícia Tavares, Maria Rueff, Inês Castelo-Branco e Luísa Cruz – irão encontrar-se com o público no Salão Nobre do teatro (a entrada é livre e limitada a cinquenta pessoas). Aos Sábados, haverá ainda visitas guiadas conduzidas por Maria Cancela, com noventa minutos de duração.

A programação pode ser vista aqui e os bilhetes para todos os espectáculos já estão à venda no site do Teatro da Trindade.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].