É uma espécie de cápsula gastronómica, a presença do restaurante indiano e nepalês no Mercado da Ribeira. A carta tem os essenciais do chef.
Durante a pandemia, Hari Chapagain (na foto de destaque) arriscou e abriu um restaurante indiano e nepalês de fine dining e não foi preciso esperar muito para perceber que havia no Oven um toque que faltava a Lisboa. «Durante os primeiros meses, estivemos sempre cheios ao jantar e só funcionávamos com reservas, foi surpreendente», lembra o chef.
Para conquistar a cena gastronómica de Lisboa, Hari Chapagain não se limitou a pegar numa série de pratos para criar uma carta igual às que já conhecíamos de outros restaurantes. O chef levou os pratos a outro patamar e, à memória, vêm-nos criações como o Magret de Pato Indiano, o Risotto Nepalês ou o modo de servir os pratos em caixas japonesas bentō.

Ainda assim, o Oven nunca fugiu às suas raízes: claro que temos os clássicos da Índia – Chicken Tikka, Lamb Chop, Tandoori Chicken – e os do Nepal, de onde é Hari Chapagain – Goat Curry e Sekuwa (carnes marinadas e cozinhadas no forno), entre outros. Foi este equilíbrio que acabou por dar nome à casa, e a verdade é que este foi mesmo o primeiro restaurante nepalês em Portugal a fazer parte do Guia Michelin.
E, tal como aconteceu com vários restaurantes que encontraram no Mercado da Ribeira um espaço para se apresentarem numa versão mais “compacta” e acessível, também o Oven acabou por fazer esta “viagem”. Contudo, não é com um “quiosque” na praça central, onde os conceitos se acotovelam para chamar a atenção.
Para esta nova aventura, o Oven escolheu um dos corredores laterais onde estão conceitos com balcões próprios, onde nos podemos sentar de forma mais tranquila e ter uma experiência mais próxima da de um verdadeiro restaurante. Aqui, numa cozinha central e à vista, destaca-se o forno tandoor, semelhante ao que também fica na casa-mãe.

É daqui que saem todas as proteínas usadas nos pratos deste “pequeno” Oven, das entradas aos principais. Para começar, há os tradicionais Momos do Nepal, aqui de frango com molho de tomate e sésamo; e o Chicken Chili Toss, pedaços crocantes de frango frito, marinados em malagueta, cebola, com um molho agridoce, uma das estrelas da carta (foto em cima) que tivemos oportunidade de provar a convite do Mercado da Ribeira.
Nas outras opções, temos o Timur Paneer (queijo cottage marinado com manga, pickles, especiarias e pimenta Sichuan) e o Tawa Fish (robalo marinado com especiarias dos Himalaias); assim como os clássicos pães Naan, em três versões: manteiga, alho e queijo (mozarela).
Para preencher bem o estômago, a pequena carta divide-se, depois, em três “caminhos”: nos grelhados, o Oven tem os indianos Chicken Tikka e Safari Chicken (frango com molho de iogurte, menta e especiarias); e o nepalês Spicy Lamb Sekuwa, costeletas de borrego médias marinadas num molho denso e muito saboroso de especiarias e funcho, que junta o fresco deste vegetal ao fumado do tandoor.

A carta inclui, claro, uma boa oferta de caril, quatro ao todo: Butter Chicken, Madras Chicken/Lamb (um dos pratos mais picantes da carta), os goeses Gowan Prawn (gambas com molho de tamarindo e leite de coco) e o Lamb Roganjosh, com um intenso travo a garam masala, que também experimentámos e do qual fizemos desaparecer o molho com doses generosas de Naan.
Para acompanhar, entra em acção o arroz: há o mais composto Biryani (de frango ou borrego); o mais aromático Basmati e o mais intenso Pilau, que o chef faz com especiarias, açafrão e frutos secos. O final faz-se, invariavelmente, com a Bebinca, uma das mais tradicionais sobremesas indianas, feita com várias camadas de base de leite de coco, gemas de ovo, açúcar e farinha.
Este Oven do Mercado da Ribeira é, sobretudo, um cartão de visita para entrar no receituário exótico de Hari Chapagain: é difícil comer aqui algo que não queiramos provar a outro nível no restaurante original, da Rua dos Fanqueiros.


















