Por la mañana café, por la noche sobrevivência: o novo Impossible Coffee da Delta nasceu numa região onde os grãos resistiram ao conflito armado

A história deste café não acaba nas montanhas colombianas: pela «primeira vez na história» dos Impossible Coffees, o transporte para a Europa foi feito através de um veleiro.

©TRENDY Report | Impossible Delta Colômbia
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Nas montanhas colombianas de Tolima, uma comunidade Nasa We’sx recusou abandonar a sua terra apesar de décadas de guerra. Agora, o café que ajudou a mudar o seu destino chegou a Portugal pela mão da Delta.

Normalmente, os cafés distinguem-se pelas notas aromáticas e pela região onde são cultivados. Mas, depois, há outro ingrediente: a história, que acaba por ser tão importante como o sabor que encontramos na chávena. E, o deste, tem um “travo” a resistência.

A quinta edição dos Impossible Coffees da Delta nasceu em Gaitania, nas montanhas de Tolima, uma região colombiana que, durante décadas, esteve associada ao conflito armado que marcou o país. Mas também foi aqui que a comunidade indígena Nasa We’sx decidiu ficar e resistir, sempre com o aroma do café a servir de tónico.

«Na zona de Tolima, o conflito com as FARC afastou muita gente e tornou o cultivo quase impossível, mas superámo-nos através do café. Foi algo incrível, algo que não esperávamos», contou Eider Socorreño Palya (na foto em baixo, à esquerda), líder informal desta comunidade, que marcou presença na apresentação que aconteceu na Delta Coffee House Experience, em Lisboa.

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Com cerca de três mil habitantes, a Nasa We’sx nunca quis abandonar a terra – muito pelo contrário. Vários jovens criaram o projecto YUPPIE (Young Professional People – do qual Eider é director) e apostaram na revitalização da produção de café numa região onde o futuro parecia estar longe das plantações.

«Somos uma comunidade muito ligada à terra e nunca quisemos ir embora. Os filhos não querem ir embora e querem ficar na terra e preferem cultivar o café», explicou o produtor colombiano.

Foi esta história que chamou a atenção da Delta para dar vida a mais um capítulo dos Impossible Coffees, um projecto que identifica «microproduções de café» associadas a histórias de empreendedorismo, resiliência e transformação social.

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«Este é o quinto capítulo dos Impossible Coffees, feito por pessoas que acreditam na terra e nas suas comunidades. Começámos nos Açores e desta vez fomos até à Colômbia, numa zona onde decorreu um conflito armado e onde praticamente não entrava ninguém», explicou Rui Miguel Nabeiro, CEO do Grupo Nabeiro-Delta Cafés.

O resultado chega agora às lojas Delta Coffee House Experience de Lisboa, Porto e Paris, bem como à loja online. Nesta colecção, estão ainda o café dos Açores; o Café Catoninho de São Tomé e Príncipe; o Café Amboim de Angola; e o Café da Floresta do Toki (Norte da Tailândia).

Mas a história deste café não acaba nas montanhas colombianas: pela «primeira vez» nos Impossible Coffees, o transporte para a Europa foi feito através de um veleiro. A travessia demorou «cerca de vinte dias» e decorreu sob «condições controladas de temperatura e ventilação», para «preservar a qualidade dos grãos ao mesmo tempo que reduziu a pegada ambiental associada ao transporte» – entre «70 e 90%», afirma a Delta.

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Na chávena, o resultado traduz-se num café de altitude «equilibrado, com notas cítricas bem definidas e apontamentos de cacau e avelã», descreve a marca. A Delta diz ainda que, devido à «frescura aromática», mantém a sua «identidade mesmo quando servido com gelo», algo pouco comum em muitos cafés de especialidade.

No entanto, mais que as características sensoriais, é mesmo difícil ignorar o peso simbólico desta edição. «Parece-me incrível provar o café que colhi lá. O processo é muito distinto. É muito bom o que vocês aportam em conhecimento para que o grão seja o melhor possível. É algo que significa muito para nós. Vocês também têm uma ligação à terra como nós», lembrou Eider Palya a terminar a apresentação.

Como acontece nas restantes edições dos Impossible Coffees, o projecto procura gerar impacto directo nas comunidades de origem. Neste caso, 10% das vendas revertem para a comunidade indígena Nasa We’sx; esta versão vem, como as outras desta gama, em grão, espresso e slow numa embalagem de 250 gramas, numerada à mão. O PVP é de dezasseis euros.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].