Academia Portuguesa de Cinema ©Mitch Nielsen
Academia Portuguesa de Cinema ©Mitch Nielsen

COVID-19. Academia Portuguesa de Cinema traça cenário negro para o futuro da produção de filmes

O impacto da pandemia COVID-19 no cinema português faz com que a A Academia Portuguesa de Cinema mostre uma «preocupação quanto ao futuro do sector».

Os números de um inquérito da Academia Portuguesa de Cinema (APC) junto dos profissionais do sector não são nada animadores: cerca de 30% «não sabe se voltará a rodar» e apenas 57% dizem que planeiam regressar às filmagens assim que pandemia passar.

A isto junta-se a crise de rendimentos que afecta realizadores, produtores, guionistas ou actores. Segundo a APC, 80% dos inquiridos tem retribuições baseadas em recibos verdes (65%) ou similares (15%) e que, por isso, «não podem por recorrer a qualquer dos apoios definidos pelo Governo, até à data».

APC quer Plano de Emergência para o cinema

Este inquérito revela ainda que, como consequência da paragem das gravações e produções de filmes devido à pandemia do novo coronavírus SARS-CoV-19, 3% «deixarão de exercer actividade» em cinema.

«Temos uma profunda preocupação quanto ao futuro do sector, caso não sejam acauteladas de imediato medidas de contingência que assegurem a sobrevivência económica individual e financeira das empresas e dos seus colaboradores», disse Paulo Trancoso, presidente da APC.

A Academia Portuguesa de Cinema criou, entretanto, um documento com três medidas a adoptar pela Estado para revitalizar e apoiar o sector do cinema – a principal é a «definição imediata» de um Plano de Emergência que «assegure a sobrevivência dos profissionais do cinema e audiovisual» e para o qual a Academia Portuguesa de Cinema se «disponibiliza a colaborar».

Abertura das salas é essencial, para a Academia

Criar um «concurso-relâmpago com verbas para iniciativas online» com «burocracia mínima» e o «regresso às rodagens com equipas reduzidas e cuidados sanitários máximos» são as outras duas medidas propostas pela Academia Portuguesa de Cinema, que lembra ainda que a abertura das salas seria fundamental para servir de base à aplicação destas soluções.

«O impacto destas medidas dependerá evidentemente da abertura gradual das salas de espectáculo, salvaguardando os cuidados sanitários necessários», lembra a APC. Os resultados completos deste inquérito podem ser lidos aqui.

Um manifesto para promover o cinema nacional, em casa

Na sequência da apresentação destas medidas, a APC lançou um manifesto em vídeo com um apelo ao público para ficar em casa e aproveitar para ver filmes nacionais: ‘Temos os nossos filmes, temos as nossas séries, temos as nossas histórias’.

Esta manifesto em vídeo (em baixo) conta com as participações dos actores Maria João Bastos e Joaquim de Almeida, e é animado com imagens dos filmes candidatos aos Prémios Sophia 2020, cuja cerimónia foi cancelada, este ano.

Manifesto da Academia Portuguesa de Cinema

Manifesto Academia – "Temos os nossos filmes, temos as nossas séries, temos as nossas histórias."

Publicado por Academia Portuguesa de Cinema em Terça-feira, 28 de abril de 2020

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].