Casa Assombrada em Belas fecha as portas no final de Julho

É o «fim do sonho», como dizem os responsáveis pelo Projecto Casa Assombrada. A razão para o fecho está nas investidas de um grupo de moradores de Belas que quer acabar com as assombrações na freguesia.

Num longo post escrito na página oficial de Facebook da Casa Assombrada (que o TRENDY visitou há quase um ano) está a má notícia: «É com profundo pesar e tristeza, que vimos informar, que as portas da Casa Assombrada na Quinta Nova da Assunção, vão encerrar definitivamente no final do mês de Julho».

A razão não é, como se pode pensar à partida, por falta de adesão do público. Aliás, se fosse por causa disso, teria de haver mais casas assombradas em Belas, já que as entradas disponíveis em cada mês, esgotavam sempre ao fim de poucos dias.

O motivo, é, segundo os responsáveis, «triste» e tem que ver com pressões feitas por moradores feitas na Câmara Municipal de Sintra para fechar este projecto cultural: «Este pequeno grupo de pessoas tem massacrado com queixas constantes durante o último ano, a Câmara Municipal de Sintra, a quem pertence a propriedade e que sempre apoiou este Projecto e o Teatro Reflexo que o produz», denunciam os responsáveis.

Segundo o Teatro Reflexo, as queixas constantes destes moradores «antigos e respeitados, ligados à igreja» durou um ano e acabou, agora, com a paciência da edilidade liderada por Basílio Horta, que pediu para que o projecto fosse terminado.

Apesar de compreenderem a posição da autarquia, sempre vista como uma aliada neste projecto, mas que se limitou a ser «vencida pelo cansaço» e a ter «em conta as queixas dos munícipes que votam», os responsáveis pelo Projecto Casa Assombrada crítica duramente a forma como as pressões foram feitas junta da CMS.

«Esta é ainda uma triste realidade no nosso pequeno Portugal, composto por um tecido retalhado de tacanhas mentalidades regadas com muita religiosidade e que consideram que a terra onde habitam lhes pertence, ostracizando tudo e todos que venham de fora, com novas ideias».

Apesar disto, o Teatro Reflexo não vai baixar os braços e já lançou o repto a todos os que não querem ver o fecho da Casa Assombrada: «Apelamos a TODOS que enviem e-mails para a Câmara Municipal de Sintra: [email protected] / [email protected]».

A ideia é mostrar que também há, por todo o País, quem quer a continuação do projecto: «É importante que refiram no vosso email onde moram, seja Sintra ou Viana do Castelo, é fundamental que na Câmara percebam a magnitude deste evento, falem também da importância deste tipo de iniciativa do vosso ponto de vista, partilhem a vossa experiência».

O Projecto Casa Assombrada começou há cerca de um ano, num palacete antigo da freguesia de Belas, em Sintra. Vários actores juntaram-se para criar uma experiência que junta um desafio com momentos de terror (muito dele sugestionado) dentro de uma casa da qual é preciso escapar.

O TRENDY passou por lá durante a semana de abertura e fez uma reportagem com um dos mentores do projecto, Michel Simeão. Desde então, o projecto chegou a ser notícia em alguns meios internacionais e conseguiu mais de 600 reviews na sua página de Facebook, atingindo uma classificação de 4,9 estrelas.


Veja o vídeo no canal de YouTube do TRENDY.


«Nós não vamos embora. Esta experiência veio provar que há muito por desbravar neste terreno que é fértil e nós estamos cá para fazer mais e melhor, não sendo em Sintra, com muita pena nossa, outras portas se abrirão certamente, noutros locais. Não baixamos os braços», concluem os responsáveis no longo post partilhado no Facebook.

Para já, estão apenas asseguradas as visitas até final de Julho, mas fica a promessa de que os fantasmas vão mesmo voltar. Talvez numa casa ainda mais perto de si.

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].