Mais que um jantar, a experiência semanal deste restaurante de Lisboa convida a abrandar; aqui, qualquer pessoa pode ser ceramista.
Todas as Quartas-Feiras, a partir das 18:30, o Tágide Wine & Gastrobar (a sala no piso inferior do restaurante Tágide, onde almoçámos recentemente) transforma-se num pequeno ateliê onde se pintam sardinhas, andorinhas, azeitoneiras, canecas ou tigelas, com a Praça do Município, o Tejo e a Sé de Lisboa como pano de fundo.
O Ceramic by Night é orientado por Suzana Barros, ceramista e proprietária do Grupo Tágide, e, como já se percebeu, junta a criatividade à gastronomia. Aqui, temos pincéis, tintas e uma peça escolhida por nós para pintar; depois, cada pessoa decide se quer acompanhar esta “missão” com jantar ou apenas com um copo de vinho. Em alternativa, o conceito está também disponível em modo brunch, aos Sábados, por 37 euros.
A verdade é que é fácil perder a noção do tempo entre a escolha das cores, os desenhos improvisados e as pequenas hesitações sobre o que fazer com uma sardinha ou uma caneca. O Ceramic by Night quase que nos obriga a ter um ritmo naturalmente descontraído e funciona bem para um encontro a dois ou para uma noite com amigos, sobretudo no final de um dia de Verão.

Quem optar pelo jantar completo (39 euros) tem direito a uma entrada, prato principal, sobremesa e bebida a copo As escolhas passam pelo Croquete de Cachaço (na verdade, uma bola) ou pela Patanisca de Bacalhau (a nossa sugestão, muito crocante e saborosa); depois, há Picadinho de Cogumelos com Batata Frita, Salmão Curado com Arroz Cremoso de Lima, Funcho e Agrião (na foto, a nossa escolha) ou uma sugestão do chef.
Para terminar, as opções são Brownie de Chocolate e Leite-Creme Tradicional (com que terminámos, o melhor prato deste jantar). Os pratos são bem executados e cumprem a sua função dentro do programa, sem se sobreporem à experiência de pintar: a gastronomia não é, claramente, o protagonista da noite. Se optarmos apenas por um copo de vinho, o preço baixa para os 20 euros, embora seja possível pedir, à parte, petiscos da carta do Tágide Wine & Gastrobar.
No fim, a peça fica no Tágide para ser cozida numa mufla, o forno próprio para cerâmica que existe no restaurante. Basta preencher um formulário com os contactos para identificar o autor e aguardar cerca de uma semana pela mensagem que confirma que está pronta para ser levantada.

Esta experiência prova que a dupla gastronomia/arte é das mais fortes para criar um momento de descontracção ao final de um dia, tanto de trabalho como de férias. O Tágide Wine & Gastrobar (reservas aqui) tem uma sala acolhedora e com uma vista que também acaba por inspirar os aspirantes a artistas; mas, a melhor recordação acaba por não ser a comida: é mesmo aquela peça imperfeita, pintada por nós e impossível de repetir.


















