Sandero TCe 100 Journey: conduzimos o Dacia que encarna da perfeição o conceito de ‘utilitário citadino simples’

Este modelo está disponível a partir de 14 950 euros, na versão Essential; a Journey, que conduzimos, tem vários extras e chega aos 20 157 euros.

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Confortável, económico e equipado com a tecnologia essencial, o Sandero cumpre aquilo que se espera de um automóvel que custa quinze mil euros.

No TRENDY Report, já conduzimos vários automóveis que nos convenceram pela potência, pelo design e, claro, pela tecnologia. No caso do Dacia Sandero, a missão é outra: resolver os problemas do quotidiano. Para isso, conta com um preço acessível, gasta pouco e oferece o equipamento básico — em suma, é o clássico automóvel para nos levar do ponto A ao ponto B. É neste papel, de utilitário citadino simples, que se torna o principal modelo que conduzimos este ano.

O Sandero não é um modelo entusiasmante, nem nos parece que este tenha sido o objectivo da Dacia. Ainda assim, o motor turbo de três cilindros ganhou dez cavalos face ao anterior TCe 90 e dá-nos, agora, 100. A resposta é viva, a aceleração é satisfatória (parece-nos mais viva que no Duster) e a agilidade permite-nos “navegar” sem esforço pelo trânsito urbano. Fora da cidade, temos um limite de 180 km/h, um número que interessa mais pela margem que revela do que pela possibilidade de alguma vez ser explorado — e até pode ser caso para isso, dado que temos seis velocidades.

O tal acréscimo de cavalos fez parte de uma actualização da gama Dacia, na recta final de 2025, integrada numa renovação mais ampla que também abrangeu o Stepway, o Logan e o Jogger. Estes foram os primeiros modelos da marca com a nova assinatura luminosa LED em forma de ‘T’ invertido, colocada sobre os faróis para acentuar a postura robusta e tornar a identidade Dacia imediatamente reconhecível: funciona e dá um ar mais desportivo a estes modelos.

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Ainda nos bons apontamentos de design, o Sandero tem uma linha fina de pontos brancos, semelhantes a pixeis, que prolonga a assinatura luminosa através da nova grelha e cria um contraste interessante com o fundo preto. Na traseira, as luzes LED repetem o tema ‘pixel’ e dão ao Sandero um toque futurista. Apesar das origens assumidamente acessíveis, o aspecto sugere, assim, um automóvel mais desportivo e, acima de tudo, mais caro que realmente é.

O que devemos evitar é dar a este novo Sandero uma cor banal: a unidade ensaiada veio num triste Cinzento Schiste, a evitar, até porque se trata de um extra de 550 euros. O Amarelo Âmbar, de lançamento, não tem custo adicional e dá-lhe muito mais personalidade, pelo que só temos de aplaudir a estratégia da marca de não cobrar por cores vivas. As jantes de liga leve Tamia de 16 polegadas completam uma apresentação exterior competente, à qual se acrescentava a antena em formato de barbatana de tubarão, um extra de 205 euros.

A versão Journey ocupa o topo da gama e recebe estofos em tecido denim azul, que tornam o habitáculo mais acolhedor e contemporâneo, algo que se prolonga no tabelier, o que evita que seja tudo em plástico duro. Os materiais não escondem o posicionamento do Sandero, mas a forma como são apresentados transmite classe; depois, o espaço é abundante e a organização foi bem pensada. Para isto, contribui ainda o sistema YouClip, comum aos modelos recentes da Dacia, que permite fixar vários acessórios em pontos próprios do habitáculo.

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Neste Sandero, cinco ocupantes conseguem viajar com relativo conforto e não faltam espaços de arrumação. A consola central inclui uma larga base para carregamento de smartphones por indução, zonas para duas garrafas ou copos e um compartimento sob o apoio de braço. Na bagageira, cabem à vontade quatro malas de tamanho médio e ainda sobra espaço para alguns acessórios.

O ecrã multimédia cresceu de oito para dez polegadas e tem uma interface igual à que encontrámos no Duster, que conduzimos recentemente: temos Apple CarPlay e Android Auto sem fios, menus simples e tudo o que é essencial, embora a fluidez pudesse ser melhor, assim como a qualidade da câmara de marcha-atrás. Depois, o painel de instrumentos digital (sete polegadas) mostra a informação de forma clara, mas, na altura de passar para o GPS, mostra apenas uma seta, sem qualquer informação de direcção, o que é, no mínimo, estranho.

No Sandero cedido pela Dacia, tínhamos o habitual extra que lhe dá mais competências tecnológicas: o Pack Nav+ (500 euros) acrescenta o Media Nav Live com informação de trânsito em tempo real, um sistema de som 3D Arkamys com seis altifalantes e o carregador de smartphone por indução. Ao contrário do Duster, não temos o formato de botões físicos que encontramos nos actuais Renault, ainda que a alternativa seja bastante intuitiva.

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O sistema de climatização usa três selectores rotativos com pequenos ecrãs LED, dedicados à velocidade da ventoinha, temperatura e direcção do ar. Neste painel inferior existem ainda botões para desembaciar os vidros, ligar o ar condicionado e activar a recirculação do ar no habitáculo. É tudo muito prático e simples de usar, sem configurações complicadas.

Mais acima surge outro conjunto de botões, no qual se encontram os comandos do modo ‘Eco’ e da desactivação do sistema ‘Start & Stop’. A consola central inclui ainda duas portas USB-C, uma tomada de 12 V e um botão com um símbolo curioso: um automóvel que parece estar estacionado com duas rodas sobre um passeio, ao lado de uma árvore. Na realidade, serve para activar o ‘Extended Grip’, um sistema de controlo de tracção destinado a superfícies com pouca aderência, algo que não tivemos oportunidade de testar (na verdade, duvidamos de que seja realmente necessário num utilitário citadino como este).

Curiosamente, entre o ecrã multimédia e o volante, local onde o Duster tem um ponto YouClip, temos uma… porta USB-C. É uma localização pouco natural, dado que, ao ligarmos um cabo nesta zona, este fica demasiado exposto, o que interfere visualmente com o posto de condução. Não percebemos a utilidade desta solução, até porque, na consola central, o Sandero está bem servido.

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Mesmo enquanto utilitário acessível, o Sandero (aqui, na versão Journey) já inclui ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro, assistência ao arranque em subida, manutenção na faixa de rodagem, alerta de ângulo morto, detecção de fadiga e atenção do condutor e reconhecimento dos sinais de trânsito com alerta inteligente de velocidade. São todos bons equipamentos, que acabam por dar mais valor a este automóvel.

Se quisermos ir ainda mais longe, basta adicionar o Pack Driving (que a nossa unidade de ensaio tinha e que custa 400 euros). Desta forma, ficamos com retrovisores exteriores eléctricos, aquecidos e rebatíveis electricamente, comutação automática entre luzes de estrada e de cruzamento e câmara multiview. O que decididamente não faz falta alguma são os avisos sonoros: são os mais altos e irritantes dos automóveis que conduzimos este ano.

E, quando dizemos isto depois de experimentar vários modelos chineses, a “proeza” do Sandero é assinalável. A sensibilidade excessiva leva o sistema a disparar alertas sem motivo evidente e os sinais acústicos assustam mais vezes que ajudam. A tecnologia de segurança deve chamar a atenção do condutor quando existe um risco real, não transformar cada aproximação a um obstáculo num “concerto” de ‘bells & whistles’.

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Nos consumos, a Dacia anuncia 5,4 l/100 km (combinados), mas, ao fim de 439 quilómetros percorridos, batemos a marca: conseguimos 5 l/100 km, um resultado muito positivo para um automóvel exclusivamente a gasolina. O depósito tem 50 litros e, quando o recebemos totalmente atestado, o painel de instrumentos mostrava uma autonomia prevista de 740 quilómetros, o que é obra.

A versão TCe 100 pode não ser, contudo, a escolha mais racional. A gama Sandero tem o Eco-G 120 a GPL, com preços a partir de 16 150 euros, e uma variante GPL com caixa automática, disponível desde 19 050 euros. Como o preço do GPL continua bastante mais baixo que o da gasolina, o Eco-G 120 pode ser mesmo a decisão mais lógica para quem percorre muitos quilómetros. O inconveniente está na rede de abastecimento, uma vez que nem todos os postos oferecem este combustível.

Relativamente a preços, o TCe 100 está disponível a partir de 14 950 euros (Essential), enquanto o Journey que conduzimos, com vários extras, chega aos 20 157 euros. Esta é uma diferença considerável face ao preço de entrada, mas também corresponde a um automóvel com apresentação cuidada, equipamento de segurança completo, dois ecrãs digitais, conectividade sem fios e vários elementos de conforto que há poucos anos seriam difíceis de encontrar neste segmento.

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O Sandero TCe 100 Journey não quer convencer-nos de que é algo que não é. Tem boa aceleração, agilidade e conforto suficiente, mas não desperta aquela vontade de escolher o caminho mais longo até casa, que sentimos com outros modelos. Em contrapartida, cumpre sem complicar, faz cinco litros aos cem e inclui exactamente a tecnologia básica de que a maioria dos condutores precisa, se estivermos dispostos a pagar por isso. Talvez por isto este seja mesmo o utilitário por defeito que conduzimos este ano.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].