Sol, areia e electrónica sem filtros: estas são as razões por que continua o MOGA a ser um dos melhores festivais à porta do Verão

Aqui não se chega apenas para ver um ou dois artistas e regressar a casa. No MOGA, chega-se para viver o ambiente.

©TRENDY Report | MOGA 2026
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Há festivais onde tudo gira à volta do palco principal; e depois há o MOGA. Estivemos dois dias a sentir a vibe que há cinco anos voa de Marrocos para a Caparica.

Em 2026, o MOGA voltou a provar que a música electrónica pode ser muito mais que uma sucessão de DJ sets. Durante vários dias, entre praias, sunsets, festas em barcos, sessões de yoga e uma comunidade internacional cada vez mais fiel, criou-se aquela sensação rara de estarmos num sítio onde ninguém parece ter pressa de ir embora.

Talvez seja essa a grande diferença do MOGA: aqui não se chega apenas para ver um ou dois artistas e regressar a casa. Chega-se para viver o ambiente. E, a isto, temos de juntar a origem marroquina do festival, que continua bem presente.

“Nascido” em Essaouira, em 2016, o MOGA trouxe, para Portugal, uma identidade própria que se sente nos detalhes, da decoração inspirada no Norte de África ao ambiente descontraído que vemos na Praia da Morena. É um festival que parece mais interessado em criar experiências que em coleccionar cabeças-de-cartaz. Mas isto não significa que não haja grandes nomes.

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Ricardo Villalobos continua a ser uma das figuras mais respeitadas da cultura clubbing e foi um dos pontos altos do fim-de-semana. O chileno-alemão fez aquilo que faz melhor: levar-nos lentamente uma viagem sonora cheia de pequenos detalhes, grooves e mudanças subtis que mantêm a pista “hipnotizada!.

Também Röyksopp trouxe um dos momentos mais esperados da edição deste ano. O DJ set da dupla norueguesa cruzou uma house melódica, com electrónica atmosférica e algumas surpresas mais dançáveis, numa combinação perfeita para um final de tarde junto ao Atlântico. Já os franceses The Blaze mostraram porque continuam a ter um lugar muito próprio no universo electrónico, com uma intensidade que foi crescendo à medida que a noite avançava.

Ben Böhmer, DJ Tennis e Mind Against assumiram naturalmente o papel de protagonistas para quem procura a vertente mais melódica da electrónica actual. Estes foram mesmo daqueles sets que parecem feitos à medida para o cenário da Caparica: batidas suaves, melodias emotivas e o oceano como pano de fundo. Mas o mais interessante do MOGA continua a ser aquilo que se descobre para lá dos nomes mais conhecidos.

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Sofia Kourtesis foi um desses exemplos. A produtora peruana confirmou porque é, hoje, uma das artistas mais elogiadas da nova geração; ao MOGA, trouxe uma electrónica profundamente humana, onde cabem emoções, identidade cultural e muita energia de pista. TSHA fez algo semelhante, ao “navegar” com uma grande naturalidade entre house, breakbeats e sonoridades contemporâneas.

O afro-house também voltou a ocupar um lugar de destaque. Nitefreak, Oscar MBO e Bun Xapa mostraram por que é que esta sonoridade conquistou definitivamente as pistas europeias. Ritmos africanos, linhas vocais carregadas de emoção e uma energia contagiante transformaram vários momentos do festival em autênticas celebrações colectivas.

Para os mais curiosos, havia ainda um conjunto de nomes que fazem as delícias dos verdadeiros apaixonados pela cultura de clube. Axel Boman, Brawther, Samuel Deep, Paramida, Eli Verveine ou Mira pertencem àquela categoria especial de artistas que continuam a ser referências absolutas para quem passa a vida à procura de boa música.

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A representação portuguesa também esteve num bom plano. Jorge Caiado voltou a demonstrar porque é um dos nomes nacionais mais respeitados da house underground internacional; e Temudo confirmou o crescimento que tem registado no circuito europeu de techno. Batida (foto em cima), AVÖ, Diana Oliveira e Vil & Cravo ajudaram a mostrar a vitalidade de uma cena nacional cada vez mais diversa.

Mas o que verdadeiramente distingue o MOGA não se passa necessariamente à frente das colunas. Acontece nas conversas espontâneas entre desconhecidos, nos encontros ao pôr-do-Sol, nos grupos que se formam naturalmente entre pessoas de países diferentes e na sensação permanente de que todos vieram ali pela mesma razão: desfrutar de boa música sem complicações.

Foi precisamente isso que Gustav Nilsson, que veio de Oslo para se estrear no MOGA, descreveu ao TRENDY Report. «Não iria necessariamente a festivais na Suécia, mas gosto de aproveitar estas oportunidades para viajar. O clima ajuda, claro, embora os últimos dias, para Oslo, tenham sido relativamente. Mas também gosto de conhecer pessoas diferentes e perceber como outras culturas vivem a festa», explica.

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O norueguês admite que o MOGA acabou por se tornar um dos seus eventos preferidos: «Já me tinham dito, mas eu não acreditava ao máximo – Lisboa tem mesmo qualquer coisa de especial. Há sempre alguma coisa a acontecer. A comida é óptima, os preços são bastante acessíveis e é muito fácil conhecer pessoas novas. Mesmo quando se vem sozinho, nunca se fica sozinho durante muito tempo».

Talvez seja essa a melhor forma de resumir o MOGA Caparica. Não é apenas um festival de música electrónica, mas um de ponto de encontro entre praia, gastronomia e cultura. Numa altura em que tantos festivais parecem cada vez mais parecidos uns com os outros, isto parece valer mais do que qualquer cabeça-de-cartaz.