Oito anos depois da abertura, o restaurante que fica no Tivoli do Parque das Nações entrou numa nova fase – de design e de gastronomia.
Candeeiros de franjas, paredes pintadas a verde-escuro, quadros que remetem para a boa vida de bar dos anos sessenta e média luz. Há qualquer coisa nesta nova “sala de estar” de Oliver que evoca de outros tempos, com um toque francês e uma sugestão de cabaret.
O projecto original, assinado pelo atelier Central Arquitectos, tinha uma linguagem industrial, com madeira, ferro e tijolo, suavizada pelo couro envelhecido, pelas almofadas e pelas cores quentes. Agora, os abat-jours com franjas verdes e as paredes em tons de verde dão à sala um ar mais doméstico e intimista.
Mantêm-se, contudo, as mesas de madeira e os sofás de pele castanha, que ajudam a reconhecer o espaço de sempre, mas a iluminação dá-lhes outra companhia. Na cozinha aberta, a referência é outra: o cinema. Por cima do balcão, um grande letreiro iluminado lembra os antigos painéis onde se anunciavam os filmes em exibição. Aqui, a “programação” faz-se com expressões como’ Food Porn’, ‘Game On’ e ‘Eat Harder’.

É um apontamento mais exuberante numa sala que ficou mais acolhedora, mas sem perder a informalidade. O Guilty by Olivier do Parque das Nações abriu em 2018 e, assim, oito anos depois, mudou de ambiente e acrescentou pratos de carne à carta, que não podem ser desassociados da oferta que o chef tem no KOB e no XXL.
Sem novidades nas entradas, começámos pelo Taco de Camarão, fresco e leve, com o camarão no ponto, bem acompanhado pelo molho, pelo guacamole e pelo pico de gallo. É uma entrada que abre o apetite, mas não nos enche o estômago – o ideal, para não nos sentirmos culpados para o que ainda está para vir.
A Focacheese segue por um caminho mais indulgente: queijo derretido da Vaca Que Ri que serve de recheio a uma massa de pizza leve, daqueles pedidos que passam facilmente de uma entrada para partilhar a uma disputa pela última fatia.

Para beber, foi impossível fugir ao Moscow Mule, que continua a ser, para nós, o melhor de Lisboa, cuja receita vem directamente do Seen. A espuma doce e saborosa tem boa parte da responsabilidade: apetece deixar a palhinha de lado e beber directamente, mesmo que isso implique ficar com os inevitáveis bigodes brancos. Há hábitos que uma remodelação não deve alterar e pedir este cocktail nos restaurantes de Olivier é um deles.
Para a “sessão ” principal da noite, os holofotes viram-se, agora sim, para as novidades da carta. O Entrecôte Grelhado com Chimichurri, uma peça de 250 gramas, chegou exactamente como pedimos: médio-mal, com a carne tenra e delicada.
Como par “romântico” deste filme, chegou o Steak Café de Paris (200 gramas), onde o molho assume um maior protagonismo: intenso, com o caril bem presente e cebolinho, a recordar o registo que conhecemos dos bifes de Olivier no XXL e na Steak & Frites Sandwich. É, claro, também daqueles que pedem pão para uns mergulhos, mesmo depois de a carne desaparecer.

Terminámos com um Petit Gâteau com Gelado de Goiaba e Crumble. O pequeno bolo de chocolate, morno e com o interior líquido, contracena com um gelado muito saboroso, mas sem excesso de doçura. O crumble acrescenta textura a uma sobremesa que acerta nas proporções e na intensidade; e, no fundo, esta acaba por ser uma boa metáfora para o “novo” Guilty.


















