Este hotel abriu, pela primeira vez, a sua piscina ao público; por 90 euros, é agora possível desfrutar daquela que pode ser a melhor experiência do género em Lisboa.
É inédito: a piscina do Tivoli (Avenida da Liberdade) e o seu Pool Bar deixaram de estar reservados aos hóspedes e passaram a receber visitantes externos. O espaço está aberto todos os dias, entre as 10 e as 19 horas, e o passe não é propriamente acessível: noventa euros. Mas depressa se percebe que o que está em causa é uma experiência premium, numa piscina que fica num dos ambientes mais luxuriantes de Lisboa.
A primeira coisa a saber é que a entrada não se faz pelo lobby do hotel — aliás, não há ligação directa entre o Tivoli propriamente dito e a piscina. Para isso, temos de subir a rampa lateral (mesmo ao lado do JNcQUOI Fish e da futura House), passar pelo elevador que dá acesso ao Seen e virar à esquerda, onde há uma escadaria que temos de subir.
Quando chegamos, a mudança de cenário é imediata. A Avenida da Liberdade fica lá fora e, à nossa frente, aparece um jardim escondido, com vegetação abundante, várias zonas de sombra e uma piscina redonda (com 12 metros de diâmetro e 1,80 metros de profundidade máxima no centro): é mesmo um pequeno oásis no meio da cidade.

Aqui, temos uma diferença importante face ao Full Day Spa do Sheraton, que experimentámos na semana anterior. Por 70 euros, o Sheraton permite ficar das 8 às 22 horas e acrescenta banho turco, sauna, hidromassagem, ginásio e zonas de relaxamento. Contudo, quando olhamos apenas para a piscina exterior, o Tivoli ganha claramente em personalidade. A envolvente luxuriante, com palmeiras, árvores autóctones, sebes de vegetação e um painel de azulejos de inspiração portuguesa, contrasta com o ambiente mais funcional e impessoal do Sheraton e com o da piscina do Lumen.
A piscina do Tivoli tem água a 27,5 graus, uma temperatura agradável para entrar sem hesitações, mas que pode ser demasiado alta em dias de muito calor; à volta existem quase 50 espreguiçadeiras, embora nem todas tenham chapéu-de-sol. Durante o Verão, o Sol começa a tocar a piscina entre as 10:45 e as 11 horas e fica até perto do encerramento, mas nunca cobre todo o espaço ao mesmo tempo. De manhã, a zona junto ao bar fica à sombra e o lado dos azulejos recebe mais luz; durante a tarde, a disposição inverte-se.
Esta alternância acaba por funcionar bem: quem procura Sol consegue encontrá-lo durante grande parte do dia, enquanto as várias árvores oferecem alternativas para quem prefere ficar à sombra. A música pop e chill ouve-se no volume certo, suficiente para criar ambiente sem interferir nas conversas ou no descanso.

Num dos cantos da piscina, temos balneários com chuveiros, mas não existem cacifos destinados aos visitantes. É uma ausência difícil de justificar num hotel de cinco estrelas: roupa, calçado, mochila e objectos pessoais têm de ficar junto à espreguiçadeira durante todo o dia. Além de pouco prático, o problema torna-se mais evidente quando a piscina recebe clientes que não têm um quarto onde deixar os pertences.
Mas nem só de mergulhos e tardes ao Sol vive a piscina do Tivoli; o Pool Bar ajuda, e muito, a dar vida a esta zona, algo que não acontece*no Sheraton. Feito em madeira, tem um ar descontraído de um bar de praia e uma ampla zona de mesas à sombra, onde se pode almoçar ou ficar a beber um copo ao final da tarde. Às Quintas e Sextas-Feiras, entre as 17 e as 20 horas, há mesmo música ao vivo, cubana e bossa nova.
Aqui, temos uma carta extensa criada pelo chef Miguel Silva que vai dos ceviches, tártaros e saladas às poke bowls, sanduíches, pizzas e sobremesas. Nas bebidas, há cocktails, sangrias, espumantes, sumos naturais, smoothies e mocktails. Os preços médios rondam os 20 a 25 euros, o que significa que um dia com almoço, snacks e várias bebidas pode aproximar-se ou ultrapassar facilmente os duzentos euros por pessoa, depois de somado o valor de entrada.

Apesar da variedade, notámos que faltam opções para a manhã: do serviço de pequeno-almoço do Tivoli, podiam vir bolos, croissants, taças de iogurte, granola, torradas ou tostas que fariam sentido num espaço que abre às 10 horas. Para petiscar antes do almoço, as escolhas acabam por se concentrar apenas na Taça de Açaí, no Rissol de Camarão e nos Croquetes de Novilho.
Para começar, optámos por um Sunny Smoothie, preparado com banana, morango e maçã. A textura espessa aproxima-o de um gelado, mas o sabor está bem equilibrado e não se torna excessivamente doce. Mais tarde, ainda junto à piscina, provámos o Rissol de Camarão (foto em cima), generoso no tamanho e no recheio, com creme e pedaços de camarão bem presentes, acompanhado por uma maionese de sriracha potente e picante. Para acompanhar, veio o Basil Smash, que se revelou a combinação certa: fresco, aromático e muito bem executado.
Ao almoço, para entrada, os Croquetes de Novilho chegaram leves, estaladiços e com uma carne tão tenra que quase se desfaz na boca; este snack é servido com uma dose generosa de mostarda com um ligeiro travo a mel que acrescenta um grande contraste. Pedimos ainda um Pool Sour personalizado, preparado com Vodka 24, fizz e maracujá, um long drink simples e refrescante.

Para prato principal, chegou um Prego do Lombo em Bolo do Caco (foto em cima) que confirma que vale a pena visitar o Pool Bar sem intenção de dar mergulhos — o restaurante também está aberto a clientes que não estejam hospedados. A carne estava muito tenra, envolvida em manteiga de alho, e chegou acompanhada por batatas crocantes às rodelas e uma maionese de mostarda Dijon para mergulhar* É um prato substancial, bem servido e suficientemente bom para justificar um almoço independente do acesso à piscina.
Os 90 euros pedidos pelo passe colocam esta experiência num patamar pouco acessível, mas é preciso sublinhar que estamos num dos mais exclusivos hotéis de Lisboa, em plena Avenida da Liberdade. A falta de cacifos é uma falha a corrigir, mas, ainda assim, poucos espaços no centro da cidade conseguem criar uma separação tão eficaz do exterior.
Entre um jardim «semitropical», uma excelente piscina, a música discreta e uma carta que funciona melhor ao almoço do que de manhã, o Tivoli tem mesmo uma das experiências do género com mais personalidade em Lisboa.


















