Brunch Electronik: quem disse que a electrónica não pode ser verde?

Mudam-se os anos, mudam-se as vontades e até os nomes – pelo menos neste caso. Depois de chegar a Portugal com o nome Piknic Electronik, em 2016 é tempo para outra “refeição”. Todos os Domingos, o Brunch Electronik toma conta da Tapada da Ajuda, com grandes nomes da música electrónica.

Não se pode dizer que todos os caminhos vão dar ao coração da Tapada da Ajuda, é certo, mas há umas ajudas pelo meio. Quem quiser terminar o fim-de-semana de uma forma mais dançante, pode poupar as pernas e aproveitar a boleia do autocarro que faz o transporte desde a entrada principal até ao recinto propriamente dito.

No meio das árvores, há um recinto que permite relaxar, trocar dois dedos de conversa e dançar sem atropelos ou invasões de espaço pessoal.

É André Rebelo, responsável pela produção deste Brunch Electronik, quem explica de onde surgiu o conceito: «A música electrónica é muito conotada à noite e a discotecas. Mas, como em tudo, há pessoas que gostam e que não querem estar associadas a esse tipo de ambiente.

Eu, por exemplo, já não saio muito à noite, sempre gostei de música electrónica e quase que me obrigam, se quiser ouvir música electrónica, a sair à noite e ir a uma discoteca. Em Barcelona, que estão um bocadinho mais à frente que nós, perceberam que havia este gap no mercado.

Então faltava qualquer coisa, para quem gosta de música electrónica, para pais que têm filhos, etc, onde é que podem ouvir música electrónica à tarde, saudavelmente, com um sítio onde possamos estar mais à vontade, com área para crianças, etc?

Daí surgiu este conceito, que começou a ser vencedor tanto no Canadá como em Barcelona – e aqui em Portugal também veio para ficar. Queremos dar música electrónica às pessoas durante a tarde, que possam trazer famílias, que venham para um ambiente mais engraçado, que não fechadas dentro de uma discoteca.»

Brunch Electronik Lisboa

Desde o dia 19 de Junho que o cenário destes Domingos se repete: pelo palco decorado com flores passam nomes familiares das grandes cabines e festivais de música, que dão motivos para dançar durante a tarde.

E não é por acaso que há flores no palco – a preocupação com o ambiente é genuína e perceptível logo à entrada. Aquilo que mais salta à vista é mesmo a ausência de uma presença habitual nestes eventos. Não há lixo no chão e isso passa muito pela aposta no Ecocup.

«A primeira coisa que trouxemos de Barcelona foi o Ecocup. Quando contratámos a empresa de limpeza, eles não queriam acreditar que não era preciso apanhar copos do chão, porque não há. O Ecocup tira logo 80% do lixo de quase todos os eventos. Existe também o Beataki, um cinzeiro portátil feito de cana de bambu. Também usamos a água de uma fonte aqui do ISA [Instituto Superior de Agronomia], portanto trabalhámos também nesses aspectos», explica André.

Outro factor diferenciador deste Brunch é a experiência cashless. À entrada, é possível ter acesso a um cartão, recarregável com um mínimo de cinco euros. Esqueça os trocos e as chatices das filas: quando quiser pagar alguma coisa, basta passar o cartão. No final, pode guardá-lo para um próximo Domingo e reaver o dinheiro que não gastou (assim como a caução de um euro do cartão).

Na música, que afinal é o maior chamariz deste Brunch, a tarde começava com To Ricciardi, que teve de lutar contra o calor, que afastava grande parte do público da pista.

No entanto, os resistentes iam dançando na zona La Fresca, que ia refrescando o público com a ajuda de pequenos aspersores de água. Seguiu-se DJ Fra, a meio da tarde, que aqueceu o público para Fairmont, que chegou em modo live.

Brunch Electronik #3 Tiga

Mas, sem dúvida, que coube a Tiga ser o cabeça de cartaz. Com vários anos de estrada, o DJ e produtor canadiano teve a seu cargo a tarefa de encerrar o Brunch.

Entre sorrisos e até pequenos passos de dança, colocou toda a gente a mexer. Talvez por ser uma hora mais simpática para os encalorados, Tiga teve a maior enchente de público à sua frente.

De regresso a Portugal, depois de uma passagem pelo Clubbing do NOS Alive, em 2015, Tiga apresentou até uma surpreendente Papi Chulo, misturada à sua maneira. Com álbum recente, No Fantasy Required, lançado este ano, Tiga teve no tema Bugatti aplausos, gritos e muita festa. Afinal, Bugatti é mesmo impossível de tirar da cabeça.

Dez anos depois do lançamento do álbum incendiário de pistas Sexor, Tiga continua a saber muito bem quais são os seus pontos fortes. E a base de fãs presente no terceiro Domingo de Brunch foi mesmo prova disso.

Estão prometidos mais brunches com electrónica a acompanhar até ao dia 18 de Setembro, para encerrar a época de Verão. No entanto, a organização avança também que estes eventos podem não se limitar só à época do calor.

Os planos podem passar por ambientes indoor durante as próximas estações. Este Domingo, há um aquecimento para o festival Neopop, com a presença de Gusta-vo, que aquece o ambiente para os conhecidos Simian Mobile Disco.

Comprados com antecipação, os bilhetes custam 9 euros; no Domingo, custam 12 euros. Está também disponível um passe geral, que custa 59 euros.

Cátia Rocha
Sonha ter um walk in closet desde pequenina, mas enquanto isso não acontece, contenta-se a coleccionar maquilhagem e anéis. Não consegue resistir a uma boa sobremesa e a um belo livro. Passa a vida a ouvir música e tem uma lista de todos os concertos que já viu.