IONIQ 6 N-Line: conduzimos a “espada” da Hyundai com ar desportivo e que continua a fazer virar pescoços na estrada

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A renovação deste Hyundai traz uma bateria de 84 kWh e uma versão N Line por quase sessenta mil euros. Mas, apesar de ser um modelo com uma acelerador guloso, fizemos consumos abaixo do anunciado.

Há mais de dois anos, levámos o IONIQ 6 pelas estradas do Oeste e ficámos com uma dúvida pouco habitual: tínhamos conduzido uma espécie de limusina ou um coupé desportivo com espaço para a família? Quem viajava atrás inclinava-se para a primeira hipótese; a traseira, que nos fazia lembrar um Porsche 911 antigo, dava argumentos à segunda. Foi esta “personalidade” difícil de arrumar numa categoria que marcou o nosso primeiro encontro com a berlina eléctrica da Hyundai.

Agora, voltámos ao volante de um IONIQ 6 renovado para 2026, com uma bateria maior e, nesta versão N Line, uma apresentação mais desportiva. A Hyundai mexeu em vários pormenores, mas manteve aquilo que primeiro nos chamou a atenção: uma silhueta que continua a destacar-se numa estrada com cada vez mais SUV.

A gama deste renovado modelo começa nos 47 180 euros, mas a N Line faz subir o preço para quase sessenta mil: 59 830 euros. A nossa unidade vinha na cor Ultimate Red Metallic que, contra as nossas expectativas, é a única sem custo adicional. Se o quisermos em preto, cinzento ou branco, temos de pagar mais 730 euros, o que não é nada habitual. De resto, a cor é mesmo a única escolha: tudo o resto está incluído.

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Em relação ao 6 original, é na frente que mais depressa percebemos a mudança. As ópticas grandes e arredondadas deram lugar a duas linhas LED muito finas, com os faróis principais mais abaixo. O resultado é um olhar mais afilado e agressivo, muito diferente da expressão quase “simpática” do modelo que conduzimos em 2024.

Nesta N Line, o pára-choques acrescenta uma dose de agressividade, com uma ampla secção inferior preta e elementos cinzentos nas extremidades que parecem pequenas barbatanas. De perfil, mantêm-se o tejadilho arqueado e os puxadores embutidos, mas as saias mais marcadas, os retrovisores pretos e as jantes exclusivas de vinte polegadas dão outro peso ao look desportivo.

Atrás, desapareceu o aileron que atravessava a zona inferior do vidro, agora substituído por um remate sobreelevado na própria tampa da bagageira. Ainda assim, a traseira continua baixa e arredondada, o que lhe dá aquele ar de Porsche 911. Já as ópticas mantêm os pequenos quadrados luminosos, embora surjam em grupos nas extremidades de uma ampla faixa preta, em vez da linha contínua do anterior. Mais abaixo, o pára-choques troca os apontamentos verticais claros por peças cinzentas oblíquas e uma secção preta com aspecto de difusor.

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Tudo isto são mudanças suficientes para tornar o IONIQ 6 mais musculado, sem “apagar” as proporções desta berlina de quatro portas e perfil de inspiração fastback (pode ver aqui uma comparação mais pormenorizada). Com cerca de cinco metros de comprimento (4,94), continua a ser um automóvel impossível de confundir com outro. O seu perfil acaba por fazer mais pela sua identidade que qualquer logótipo, embora os da N Line não faltem: sobre as ópticas dianteiras do lado direito, nas laterais junto aos guarda-lamas, nos bancos e no volante.

Esta versão “veste” o IONIQ 6 com outra “roupa”, mas mantém os 229 cavalos e 350 Nm das restantes variantes com bateria de 84 kWh e tracção traseira. Os 7,4 segundos dos 0 aos 100 km/h também não mudam e “sentem-se” bem assim que passamos do modo ‘Eco’ para o ‘Sport’. Há, contudo, uma contrapartida na autonomia: a N Line anuncia 585 km em ciclo WLTP, contra os 624 km da versão convencional.

No interior, convém distinguir aquilo que mudou com esta renovação dos elementos específicos da N Line. O volante é o melhor exemplo: o de dois braços que conhecíamos deu lugar a um de três, com o símbolo ‘N’, pele perfurada e costuras vermelhas. Contudo, na versão convencional do IONIQ 6 MY26, mantêm-se os quatro LED em linha e o botão redondo do selector dos modos de condução à esquerda.

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Aqui, este comando ganha um chamativo acabamento vermelho e é em metal. Mas, como acontece nas outras versões, permite escolher entre cinco modos: ‘Eco’, ‘Sport’, ‘Normal’, ‘Neve’ e ‘My Drive’, este último com uma configuração ao nosso gosto. Este botão acentua o carácter desportivo desta N Line e é um dos pormenores que ajudam a dar outro carácter ao posto de condução, com os bancos e os apontamentos de cor junto às saídas de ar.

A consola central continua com o formato de ponte e os comandos dos vidros entre os bancos, mas apresenta uma disposição diferente. Os botões de aquecimento e ventilação dos bancos dianteiros estão agrupados na zona da frente, junto à área redesenhada para carregar o telemóvel; é também aqui que se liga o aquecimento do volante.

Gostámos desta facilidade de acesso mais analógica: estas funções estão todas disponíveis no sistema de infoentretenimento, mas um botão dedicado permite chegar lá mais depressa que andar a deslizar o dedo pelos menus de um sistema operativo a chorar por uma mudança de aspecto, que vai chegar com o IONIQ 3: o Pleos Connect.

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Neste modelo, a Hyundai manteve ainda uma consola com atalhos físicos para a página inicial, o mapa, a pesquisa e o multimédia, assim como um painel próprio para a climatização, abaixo das saídas de ar. Assim, regular a temperatura ou mudar de fonte de áudio continua a ter uma alternativa ao ecrã táctil.

De resto, mantém-se a organização horizontal do tablier, com dois ecrãs de 12,3 polegadas lado a lado e uma separação física entre ambos. Não temos aqui o aspecto contínuo, sem a barra intermédia, que encontrámos no IONIQ 5 MY25 e que também estávamos à espera de ver nesta renovação.

O equipamento é praticamente igual ao da Vanguard Plus: regulação eléctrica dos bancos dianteiros, aquecimento e ventilação à frente, aquecimento atrás e no volante, head-up display e sistema Bose Premium com oito altifalantes. Nos lugares traseiros, os botões para aquecer os bancos ficam nas portas, o que não deixa de ser estranho; normalmente, estão na consola central, acessível a quem viaja atrás.

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Os revestimentos em Alcantara e pele estão em linha com a imagem da N Line, mas o que mais valorizámos foi o conforto dos bancos e o bom apoio lombar. Atrás, há bastante espaço e um apoio de braços central que ajuda a dar muita comodidade em viagens mais longas. Os quase cinco metros sentem-se bem a bordo e ainda temos uma bagageira com 401 litros, aos quais se juntam os 45 da frunk. O IONIQ 6 faz-se mesmo sentir como um automóvel grande e tira muito partido destas dimensões para dar conforto a quem viaja.

Em condução, é óbvio que esta versão N Line convida a carregar no botão vermelho e escolher sempre ‘Sport’. Foi o que fizemos durante boa parte do ensaio: a aceleração é bastante imediata. Não precisamos de entrar em grandes explicações técnicas para perceber a força desta resposta. Basta pedir um pouco mais ao acelerador para que o IONIQ 6 mostre que os 229 cavalos chegam para dar outra vida a uma berlina destas dimensões.

No volante, temos uma das nossas funcionalidade preferidas em eléctricos: patilhas que permitem ajustar a intensidade da regeneração sem tirar as mãos do volante. Aqui, além do nível zero, temos mais três níveis; no mais forte, a desaceleração é suficientemente acentuada para reduzir bastante o recurso ao travão e aproximar a experiência da condução ‘one pedal’. Foi este efeito que sentimos, mesmo sem uma indicação explícita de um modo com esse nome na configuração utilizada.

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Mesmo assim, a puxar bem por este IONIQ 6, os consumos não se ressentiram muito. Ao longo de 225 km, registámos uma média de 13,3 kWh/100 km, muito abaixo dos 14,7 anunciados pela Hyundai para esta versão. No final, o indicador mostrava 60% de bateria e uma estimativa de 260 km ainda disponíveis, o que nos faz acreditar que este modelo pode chegar muito perto do valor WLTP anunciado. Vale a pena sublinhar que conseguimos uma média baixa num automóvel grande, com jantes de 20 polegadas e sem passar o ensaio inteiro no modo ‘Eco’.

O primeiro IONIQ 6 deixou-nos a pensar se estávamos mais perto de uma limusina ou de um coupé. Esta N Line faz-nos acreditar mais na segunda hipótese, sobretudo quando escolhemos ‘Sport’, mas continua a tratar os passageiros com o conforto da primeira. Em estradas cheias de modelos muito parecidos uns com os outros, este faz parte do clube que ainda faz virar pescoços e deixa quem vai na rua com outra dúvida: «O que raio passou por mim?».

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].