Da cozinha italiana à mesa portuguesa: a nova fase do Ardea começa agora e faz a mudança definitiva na Primavera

No menu, a Lasagna Bolognese ou o Ossobuco ainda convivem com a Açorda de Gambas e as Plumas de Porco Preto.

©TRENDY Report | Ardea
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Ainda com pratos do Don Alfonso, o Ardea já sabe para onde quer ir: entre Abril e Maio via haver novidades na carta. Tivemos um cheirinho do que aí vem.

No início de Janeiro, o Legacy Cascais Curio Collection by Hilton anunciou uma mudança na oferta gastronómica: o Don Alfonso, que abriu com o hotel em Maio de 2024, deu lugar ao Ardea. Segundo Tiago Adriano, head of sales & marketing, isto foi o resultado do contacto diário com os hóspedes.

«Pediam-nos constantemente sugestões de restaurantes de gastronomia portuguesa na zona e tínhamos sempre de recomendar restaurantes fora do hotel». Foi deste desfasamento entre o que o hotel oferecia e o que os hóspedes procuravam que nasceu o Ardea.

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O nome resulta de uma pesquisa em torno das garças, uma ave que marca a identidade visual do espaço e surge ilustrada no papel de parede. Foi encontrada uma espécie chamada Ardea e o nome ficou, entre outros que também estavam em cima da mesa.

A sala mantém uma elegância confortável, sem o formalismo excessivo de alguns restaurantes de hotel, algo que já tínhamos percebido quando visitámos o Don Alfonso em Outubro de 2025. Mas, à mesa, percebe-se rapidamente que o Ardea está numa fase de transição consciente, como percebemos durante o jantar com vários jornalistas que serviu para apresentar o conceito.

A carta ainda não é totalmente portuguesa e convive, por agora, com “heranças” do Don Alfonso, como as pizzas clássicas, o Spaghetti Don Alfonso, a Lasagna Bolognese, o Linguine ou o Ossobuco. Este mix é assumido como uma etapa intermédia: «Tivemos de deixar alguns pratos italiana para o corte não ser tão forte, mas entre Abril e Maio vamos fazer a transição completa para pratos portugueses», garantiu Tiago Adriano.

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Para já, a proposta inspira-se numa leitura contemporânea da cozinha portuguesa e mediterrânica, com alguns pratos pensados para partilhar. Exemplo disso é a Açorda de Gambas, num tachinho que pode servir de entrada.

Nos pratos principais, a sugestão do chef (José Luiz Diniz) para este jantar passou pelo Robalo com Puré de Batata-Doce Roxa e pelas Plumas de Porco Preto com Mil-Folhas de Batata, bons cartões de apresentação para o que o Ardea é e quer ser.

Para já, não se notam tentativas de desconstrução gratuita ou reinterpretações forçadas: há respeito pelos sabores, um ou outro prato que pode ser mais fora da caixa (como o Tártato de Batata Doce com queijo de cabra) e pela expectativa de quem se senta à mesa num hotel que quer, finalmente, saber a Portugal.

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Esta intenção fica ainda mais vincada com os ‘Encontros à Portuguesa’, os novos momentos gastronómicos de fim-de-semana do Ardea. Aqui, o menu aponta mais para a mudança que aí vem: pratos de tacho e receitas portuguesas de conforto, pensadas para um público local e não apenas para hóspedes de passagem.

O Ardea que visitámos esta semana não é, ainda, um ponto final, mas, sim, um ponto de viragem. Mais que substituir um restaurante italiano, é uma declaração de intenções e uma resposta directa a quem procurava Portugal à mesa.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].