Aluno da Universidade de Coimbra desenvolve frigoríficos para regiões sem acesso a electricidade

©Maxim Shklyaev

Evandro Garcia, aluno de doutoramento da Universidade de Coimbra, liderou uma equipa que criou uma nova gama de frigoríficos e arcas congeladoras alimentados apenas com painéis solares.

Várias comunidades da África Subsariana (os países a Sul do deserto do Saara) podem receber em breve um novo tipo de frigoríficos e arcas congeladoras que não precisam de estar ligados à rede eléctrica para funcionar.

Este será o destino dos primeiros equipamentos refrigeradores alimentados a energia solar, o resultado de um projecto desenvolvido por uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra liderada por Evandro Garcia.

Refrigerar vacinas também é um objectivo

«Nesta parte do continente africano, cerca de seiscentos milhões de pessoas não têm acesso a electricidade. Os sistemas de refrigeração são essenciais para minimizar os desperdícios de alimentos e para melhorar a nutrição das populações», diz Evandro Garcia.

Além de servirem para guardar comida, estes frigoríficos e arcas congeladoras vão ter outro papel: «A refrigeração de vacinas garante a imunização necessária das comunidades, especialmente nas zonas rurais».

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©Universidade de Coimbra | A equipa desenvolveu ainda um «controlador inteligente que monitoriza e controla as temperaturas dentro dos equipamentos».

A opção por painéis solares foi óbvia, tendo em conta o destino deste tipo de equipamentos, uma vez que «grande parte das regiões em desenvolvimento se encontram em zonas tropicais». Segundo o investigador principal, e aluno de doutoramento da Universidade de Coimbra, a «abundância de radiação solar faz com que o uso de painéis fotovoltaicos seja o melhor caminho para a geração de electricidade».

FCT atribui bolsa de doutoramento

Em concreto, os frigoríficos e arcas congeladoras desenvolvidos no âmbito deste projecto integram «módulos para acumulação de energia sob forma de frio ao sistema», módulos esses que foram «projectados e fabricados através de sistemas de impressão 3D e funcionam como “baterias térmicas”», explica Evandro Garcia.

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©Universidade de Coimbra | Os módulos para acumulação de energia sob forma de frio ao sistema foram criados com impressoras 3D.

Desta forma, há dois momentos de acção: «Durante o dia, usa-se a energia gerada pelo sistema solar fotovoltaico para refrigeração do interior e para acumulação de frio nos módulos acima referidos. Durante a noite a temperatura é mantida devido à libertação do frio acumulado nos módulos e o ciclo reinicia-se diariamente».

Neste momento, os resultados deste sistema parecem ser satisfatórios – a Fundação para a Ciência e a Tecnologia atribuiu uma bolsa de doutoramento para que Evandro Garcia «possa avançar ainda mais com a investigação e desenvolvimento dos protótipos», conclui a Universidade de Coimbra.

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].