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Google vs. Cetelem: há conclusões diferentes sobre as compras dos portugueses na Black Friday

A Google e a Cetelem anunciaram no espaço de 24 horas dois estudos sobre a mesma coisa, mas com resultados diferentes. Uma diz que mais de metade dos portugueses quer fazer compras na Black Friday, a outra mostra precisamente o contrário.

Faltam poucos dias para a Black Friday, uma tradição que começou aos poucos a entrar na cultura portuguesa e que actualmente motiva campanhas de quase todas as marcas e lojas, muitas vezes numa acção de pura promoção ao consumismo desenfreado.

Apesar disso, há muita gente que aproveita os descontos desta época do ano para antecipar as compras de Natal – a questão é saber até que ponto é que a Black Friday tem impacto nas finanças dos consumidores nacionais.

Google: 63% dos portugueses querem comprar na Black Friday

Para tomar o pulso das intenções de compra nesta ‘Sexta-Feira Negra’ costumam sair alguns inquéritos/estudos que avaliam o interesse dos portugueses em gastar dinheiro neste dia. Mas os dois que sairam no princípio desta semana chegam a conclusões completamente diferentes e com uma grande disparidade de números.

O primeiro foi o da Google, feito em Julho deste ano, e avaliou a vontade de cinco mil pessoas fazer compras na Black Friday. Segundo Joana Bastos (industry manager da empresa) as conclusões «mostram que a data está cada vez mais enraizada em Portugal e é hoje um dos grandes momentos de consumo dos portugueses».

Mas que conclusões são estas? São números que metem respeito: segundo a Google, 63% dos portugueses tenciona fazer compras na Black Friday, principalmente de roupa (56%) e tecnologia (49%). A ajudar está o facto de o motor de busca registar um «elevado número de buscas» pelo tema, nesta altura do ano.

O problema do estudo da Google está no facto de não conhecermos a metodologia: apenas nos é dito que foi feito em Julho de 2019 a cinco mil pessoas.

«Em 2018, a semana da Black Friday em Novembro foi a semana do ano que registou o maior número de pesquisas no Google em Portugal. Esta é também uma tendência consistente ao longo do tempo uma vez que as pesquisas por Black Friday crescem 34% de ano para ano e ocorrem durante todo o mês de Novembro», diz Joana Bastos.

Cetelem: 36% dos portugueses querem comprar na Black Friday

Talvez isso explique a diferença para os resultados de outro estudo obre o mesmo tema, feito pelo Observador Cetelem com o apoio da Nielsen, uma empresa especialista neste tipo de inquéritos de mercado, com uma metodologia bem explicada e definida.

A Cetelem mostra um número bastante diferente do da Google: apenas 36% dos portugueses têm intenções de «aproveitar as promoções da Black Friday», aumentando a intenção de fazer compras não relacionadas com o Natal. Contudo, aqui sabemos de que forma é que o estudo foi feito, uma vez que a metodologia é partilhada pela marca.

Trata-se de um «inquérito quantitativo» com uma «amostra representativa de 600 indivíduos residentes em Portugal Continental, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 18 e os 74 anos de idade». Esta amostra tem um «erro máximo associado de +/- 4.0 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%».

Para já, a explicação que podemos dar para esta disparidade de números tem que ver com a metodologia usada pelas duas empresas: uma delas conhecemos, a outra ainda não. O TRENDY contactou a Google para saber mais detalhes sobre a condução deste estudo e quando receber as respostas actualiza o artigo com as explicações da marca.

Entretanto, a Google explicou a forma como fez este inquérito. As perguntas foram feitas com base na plataforma Consumer Survey: «Basicamente é um inquérito online onde a representatividade da amostra é assegurada pela alocação dos participantes com base no split demográfico da população da Internet», neste caso, de Portugal.

Ou seja, as condições em que foi feito o questionário não são tão controladas como um verdadeiro estudo de mercado, uma vez que não há intervalos de confiança nem margens de erro, o que acaba por justificar os resultados tão díspares em relação ao estudo mais profissional da Cetelem.


Artigo actualizado às 14:59 de 20 de Novembro com as explicações da Google

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].