A cor Verde Flare e a nova assinatura luminosa dão uma grande presença a este eléctrico francês. No habitáculo, mantêm-se os bons materiais e a arrumação, mas, também, algumas… limitações.
O Peugeot E-408 que testámos há cerca de um ano lavou a cara e apresenta-se ao “serviço” com novos apontamentos de design no exterior. Mas a fórmula mantém-se: uma berlina fastback com uma carroçaria pouco convencional, um tejadilho descendente e linhas que lhe dão personalidade. Como em 2025, voltámos a estar ao volante de uma edição de topo, a GT Exclusive, numa unidade com um preço final de 48 141 euros.
Se pusermos os dois E-408 lado a lado, vemos que a transformação mais evidente está na dianteira. Os ‘dentes de sabre’ luminosos que desciam pelas extremidades do pára-choques desapareceram e foram substituídos por três garras LED oblíquas de cada lado. Os faróis ocupam, agora, uma posição inferior, separados das luzes diurnas e integrados em zonas de acabamento preto; uma linha transversal e o emblema iluminado completam a nova assinatura luminosa.
A grelha tem elementos maiores, mais espaçados e com um efeito tridimensional mais evidente; os novos recortes geométricos, as superfícies pretas e as barras horizontais da entrada de ar inferior dão a este GT uma maior largura visual. O 408 reforçou o visual agressivo, dado que, na nossa opinião, ficou com uma frente mais vincada e imponente.

De perfil, temos a mesma silhueta fluida, com vincos pronunciados nos painéis laterais, que faz deste Peugeot um dos modelos visualmente mais marcantes do seu género. Atrás, a principal novidade é a inscrição iluminada da marca, integrada numa faixa transversal entre as três garras LED de cada lado. Visualmente, há outro elemento que merece tanta atenção como estas alterações: a pintura Verde Flare. É uma das melhores cores que vimos este ano num automóvel e dá ao 408 uma presença eléctrica e magnética. Como é de série, escolher outro tom implica pagar mais 701 euros.
Por outro lado, no interior, não temos alterações. Mantém-se a sensação de estarmos ao comando de uma nave espacial, sobretudo pelo aspecto e posição do tablier: alto e com formas angulares, diferentes planos e uma grande variedade de texturas. Há acabamentos que simulam metal, apontamentos com aspecto de fibra de carbono nas portas e numa faixa do tablier, preto piano e superfícies baças e brilhantes. É um habitáculo assumidamente maximalista.
A posição de condução é agradável, embora os bancos pudessem oferecer um apoio lombar mais eficaz. Os revestimentos de série combinam TEP, Alcântara e tecido Fraxx Knit, com uma apresentação desportiva que está em linha com o ambiente do habitáculo. Por mais mil euros, a opção de couro Nappa preto Mistral acrescenta uma configuração de bancos com regulação eléctrica, aquecimento e massagens. A unidade ensaiada tinha ainda um tecto de abrir panorâmico, um extra de 950 euros, e um sistema de som Hi-Fi Premium Focal.

O volante revestido a couro mantém uma dimensão que consideramos ideal: compacto, desportivo e agradável de utilizar. Contudo, a relação entre a sua posição e o painel de instrumentos obriga-nos a regulá-lo para que não tape parte da informação, algo em que a Peugeot continua a pecar – no nosso caso, a solução passou por baixar o volante e ajustar o banco em conformidade. No painel de instrumentos temos todos os dados de que precisamos e ainda podemos activar uma visualização 3D, que lhe dá um aspecto mais futurista. Falta apenas uma maior ligação visual aos modos de condução: a cor da interface continua a não mudar automaticamente quando seleccionamos o modo.
Ao centro, continuamos a ter o ecrã de infoentretenimento e o painel dos i-Toggles, o conjunto de atalhos personalizáveis que se mantém como uma boa solução para aceder às funções mais utilizadas. Logo abaixo, há uma linha de botões físicos, quase todos dedicados à climatização, com duas excepções. Uma delas, certeira, dá acesso directo ao menu dos sistemas de assistência à condução, onde podemos desligar os alertas de manutenção na faixa e de velocidade excessiva.
Mas o ecrã de infoentretenimento continua a ter alguns problemas: é demasiado estreito em altura e relativamente afastado do condutor, o que obriga a esticar o braço e, em algumas interacções, a inclinar ligeiramente o corpo. A isto junta-se um problema que já tínhamos identificado no anterior 408: a pouca fluidez dos menus e das animações. Os tempos de resposta retiram rapidez a operações simples e tornam algumas interacções mais aborrecidas.

Já a consola central está no ponto, com várias zonas de arrumação, algumas destas muito discretas. Por exemplo, a tampa retráctil esconde dois suportes para copos ou garrafas e permite resguardar objectos mais sensíveis; existe ainda espaço para outros artigos junto à zona dianteira da consola e um carregador por indução, embora escondido sob a linha de botões físicos. Nesta zona há, ainda, um compartimento iluminado com ligações USB-C e de 12 V; o selector ‘P’, ‘R’, ‘N’ e ‘D’; o comando dos modos de condução e o botão de arranque. Sob o apoio de braço, outro compartimento, largo mas pouco profundo, inclui uma segunda porta USB-C. Tudo está no sítio certo e bem arrumado.
Em termos de condução, o motor mantém os 157 kW do 408 anterior, agora apresentados como 213 em vez dos anteriores 210 cavalos, mas sem que isto corresponda a um aumento efectivo da potência em quilowatts. A bateria NMC tem 58,2 kWh de capacidade útil e a velocidade máxima é de 160 km/h; para a configuração ensaiada, os valores indicados são de 453 quilómetros de autonomia (mais três que na versão anterior) e 14,9 kWh/100. No final do nosso teste, depois de 277 quilómetros percorridos (com uma velocidade média de 36 km/h), conseguimos 12,9 kWh/100, o que não deixa de ser um valor muito bom para um modelo deste tipo.
Ao volante do E-408, a surpresa é a facilidade com que os 4,69 metros deixam de se fazer sentir. O automóvel parece mais pequeno e leve do que as dimensões exteriores sugerem, com uma direcção muito leve que simplifica as manobras. Esperávamos uma resposta mais pesada, talvez até «pastosa», mas encontrámos um eléctrico expedito, suave e fácil de conduzir, tal como já tínhamos experimentado no modelo anterior.

Sem surpresas, é no modo ‘Sport’ que este E-408 mais contraria as expectativas criadas pela sua silhueta de grande fastback: acelera com uma desenvoltura quase comparável à de uma faca quente a cortar manteiga, passando o cliché. O melhor é que, para controlar a desaceleração, temos três níveis de regeneração, seleccionáveis pelas patilhas atrás do volante, das melhores que já experimentámos: pequenas, precisas e bem posicionadas.
O E-408 GT Exclusive convenceu-nos, sobretudo, pela combinação entre uma identidade visual forte e uma condução mais fácil que o seu volume deixa antever, tal como aconteceu em 2025. Sem surpresas neste departamento, temos de nos virar para a renovação exterior, que o tornou mais agressivo e atraente; e não podemos deixar de aplaudir a decisão da Peugeot de fazer com que o Verde Flare seja a cor de série. Mas, numa próxima versão, gostávamos de ter um sistema de infoentretenimento mais rápido, o que, por muito que gostemos do design exterior, seria uma mudança muito mais prática e útil.


















