A adaptação deste filme ao teatro conta com Diogo Infante no papel de John Keating: «Era o único capitão possível», diz o encenador, Hélder Gamboa.
São poucos os filmes que se podem meter no panteão daqueles que tanto entram na cultura pop, como definem carreiras de actores e, alem disto, marcam gerações com a sua mensagem. ‘O Clube dos Poetas Mortos‘, um texto original de Tom Schulman, levado ao cinema em 1995 por Peter Weir é, sem dúvida, um destes.
Depois de dois meses em ensaios, a peça sobe ao palco do Trindade já esta semana. A estreia é a 30 de Abril e vai ter um foco de interesse adicional: a presença do autor, que ganhou o Óscar de ‘Melhor Argumento Original’. O que acaba por ser pouco conhecido é que o próprio Tom Schulman criou uma versão para teatro de ‘O Clube dos Poetas Mortos’, em 2016.
«Disse a toda a gente para não ver o filme nesta altura; é muito difícil fugir ao que vimos no cinema, mas a versão feita para teatro, criada pelo próprio autor, torna isso fácil, para contar a história de outra maneira», explica Hélder Gamboa. «De qualquer forma, também não íamos querer fazer igual ao filme, pois os cenários são muito complexos, tivemos de simplificar», justifica o encenador.

Hélder Gamboa admite ainda que a narrativa de Tom Schulman tem uma dimensão pessoal que apela às suas memórias: «Comovo-me sempre com o final. A história faz-me lembrar a minha juventude, na praia de Carcavelos, a contar histórias à noite e a tocar música», recorda. A escolha do elenco foi outro dos pontos-chave. «Tinham de ter todos a mesma idade e as peças encaixaram muito bem», refere, enquanto destaca a preparação dos novos actores: «Os alunos das escolas de teatro estão mais bem preparados que os da minha geração»
Em palco, Diogo Infante assume o papel do professor que desafia os alunos a pensarem por si próprios: «Espero que as pessoas se comovam. É muito prazeroso fazer esta personagem», diz o também director artístico do Trindade. Sobre a sua escolha para este papel, Hélder Gamboa pega na frase mais conhecida da história e revela que a escolha foi óbvia: «Não há capitão como o Diogo, não havia outro Keating possível».
Para o actor, a actualidade da mensagem é incontornável: «É estranho pensar que continua a ser necessária, quase setenta anos depois [a acção passa-se nos anos cinquenta]. É muito importante que as novas gerações percebam que a sua individualidade nunca seja posta em causa».

A ligação emocional à figura do protagonista é, também, pessoal. «Todos gostávamos de ter um Keating na nossa vida e o João Mota, no Conservatório, foi um dos meus», partilha Diogo Infante, ao mesmo tempo que sublinha a pertinência do texto: «Isto passou-se em 1959 e quero que as pessoas tenham a noção de que não pode acontecer hoje em dia»
Inicialmente com datas até 2 de Agosto, a «forte procura por bilhetes» levou o Trindade a “esticar” as sessões de o ‘Clube dos Poetas Mortos’ para entre Setembro e Dezembro, a que se segue uma digressão nacional, em 2027. Lembre-se que esta peça está em cena de Quarta a Sábado às 21 horas e, aos Domingos, às 16:30. Os bilhetes podem ser comprados aqui. Em streaming, o filme está disponível no Disney+.


















