Este documentário de Sandra Inês Cruz leva-nos numa viagem à antiga prisão com o escritor angolano Luandino Vieira.
Numa altura em que se assinalam noventa anos da inauguração do Tarrafal (começou a funcionar em Outubro de 1936, após a publicação do decreto que criou a colónia penal em Abril desse mesmo ano, durante o regime de António de Oliveira Salazar), estreia ‘Chão Verde de Pássaros Escritos’.
Realizado pela jornalista Sandra Inês Cruz (que, em 2025, editou o livro ‘Tarrafal 1975’), o documentário mostra o regresso do escritor angolano Luandino Vieira ao local onde «esteve preso entre 1964 e 1972, durante o regime colonial português».
Esta prisão foi criada para receber presos políticos do Estado Novo, opositores ao regime, e ficou conhecido como um dos símbolos mais duros da repressão colonial portuguesa.
Filmado entre Angola, Portugal e Cabo Verde, ‘Chão Verde de Pássaros Escritos’ (com produção a cargo da Um Segundo Filmes, com 77 minutos) «cruza um testemunho pessoal e evocação histórica». Ao longo do filme, Luandino «revisita memórias e textos que sobreviveram à censura, numa reflexão centrada na resistência, na literatura e no peso da memória».

Após a libertação, Luandino Vieira (faz 91 anos a 4 de Maio) desempenhou vários cargos ligados à cultura e comunicação, incluindo funções na televisão pública e no Instituto Angolano do Cinema, além de ter participado na criação da União dos Escritores Angolanos.
Em 2006, foi distinguido com o Prémio Camões, no valor de cem mil euros, que recusou: «Teria sido uma grande injustiça para os escritores que estavam a editar regularmente». Luandino retomou a escrita depois de um hiato de quase trinta anos com ‘O Livro dos Rios‘ (2007), o primeiro volume da trilogia ‘De Rios Velhos e Guerrilheiros’.


















