Beo Grace Honey Tone: ouvimos música nuns earbuds da Bang & Olufsen que custam… 1200 euros

É muito claro que os Beo Grace são um objecto de luxo, em que os materiais, o nome da marca, o acabamento, o conforto e a exclusividade têm mais importância que o som.

©Bang & Olufsen | Beo Grace
©Bang & Olufsen

Para algumas marcas, os auriculares não são apenas duas hastes que se metem nos ouvidos e dão música.

Este é o caso da B&O: no segmento de luxo, onde está a marca dinamarquesa, os materiais e o design têm outra importância. É precisamente neste “território” que entram os Beo Grace, que testámos na nova versão Honey Tone (parece-nos, na verdade, um muito feminino Rose Gold), inspirada na «joalharia», como diz a Bang & Olufsen, e apresentada como alternativa à original Natural Aluminium.

Feitos em alumínio polido, vêm numa elegante caixa de carregamento com acabamento pontuado por um palavrão usado no mundo da moda: «jateado com pérolas». Não conseguimos perceber o que a marca quer dizer com isto, mas lá que a caixa é bonita e pesada, não há dúvidas: quase que sentimos o peso dos 1200 euros na mão.

Quanto aos auscultadores propriamente ditos, são compactos, muito confortáveis e ficam bem presos aos ouvidos; o driver de titânio de 12 mm dá-nos um bom som, com graves fortes mas controlados e vozes claras em chamadas. O Dolby Atmos também faz o seu papel, mas, no final de contas, nada é propriamente espectacular.

©Bang & Olufsen | Beo Grace
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Ainda assim, o ANC também está num bom nível, sobretudo com sons constantes, enquanto o modo de transparência deixa entrar vozes e ruído exterior de forma bastante natural. Para ir alternando entre estes modos, podemos tocar nas hastes ou usar a app, que tem uma interface intuitiva.

O que não conseguimos mesmo pôr em prática foi uma das funcionalidades mais estranhas dos Beo Grace: tocar perto da orelha (junto ao trago) para regular o volume, o que a marca chama ‘Near Tap’. Tocámos em várias zonas, tirámos e voltámos a meter os auriculares e nada — por vezes, não é preciso inventar, basta seguir a fórmula convencional. Neste caso, a B&O mete areia na engrenagem, o que é completamente escusado.

Mas o ponto mais fraco é a autonomia, dado que 4,5 horas com cancelamento de ruído e dezassete no total, com a caixa, ficam muito aquém do esperado. Por outro lado, temos uma óptima funcionalidade neste estojo: pode ser ligado por USB-C a uma fonte de áudio e transmitir o som para os auriculares, uma solução útil para equipamentos que não tenham Bluetooth e que também reduz a latência.

©Bang & Olufsen | Beo Grace
©Bang & Olufsen

Pela qualidade sonora, é impossível justificar os 1200 euros que a marca pede. Fica mais que claro que os Beo Grace são um objecto de luxo, em que os materiais, o nome da marca, o acabamento, o conforto e a exclusividade têm mais importância que o som.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].