Do imobiliário à hotelaria: como adaptar os brindes a cada setor

“Diz-me o que vendes, eu dir-te-ei que brindes escolher.”

Uma caneta ou um bloco de notas podem continuar a ser escolhas válidas, mas dificilmente terão o mesmo impacto em todos os negócios. O setor, o perfil do destinatário e o momento da entrega influenciam diretamente a utilidade e o valor percebido de um brinde.

Adaptar a escolha a estes fatores aumenta a probabilidade de o produto ser utilizado e de a marca permanecer no quotidiano de quem o recebe.

Antes do setor, é preciso definir o objetivo

Mapear o mercado é meio caminho andado, mas de nada serve escolher o artigo mais estético ou o gadget mais tecnológico se não souber exatamente o que quer alcançar com ele.

Qual é afinal a sua missão principal?

  1. Gerar reconhecimento da marca: o brinde deve ter visibilidade e ser utilizado em contextos públicos. Pensamos em sacos de pano estilo tote bag estéticos para usar na rua, garrafas térmicas para o ginásio ou guarda-chuvas.
  2. Fidelizar clientes: o brinde deve focar-se na exclusividade e na tangibilidade. O valor percebido deve estar alinhado com a importância da relação. Acabamentos cuidados, materiais resistentes e uma personalização discreta podem transmitir exclusividade sem depender necessariamente de um orçamento elevado.
  3. Criar cultura de marca: o produto deve ter qualidade estética e utilidade suficientes para que as pessoas sintam vontade de o utilizar no dia a dia.
  4. Reconhecer e envolver colaboradores: seja para onboarding, celebrar o alcance de metas ou assinalar o aniversário da empresa, um brinde pensado para a equipa reforça o sentimento de pertença. Neste caso, o foco deve ser o orgulho e o conforto no dia a dia: hoodies, organizadores de secretária ou mochilas para o portátil.
  5. Acompanhar um momento importante: em alguns setores, o brinde pode fazer parte da entrega do produto ou da experiência contratada. Neste contexto, deve estar diretamente relacionado com o momento e prolongar a recordação da marca.

Diferentes setores, diferentes critérios

Com o objetivo definido, entra em campo a contextualização. A partir destes objetivos, é possível perceber como diferentes setores adaptam os produtos, os materiais e o momento da entrega às expectativas do seu público.

Imobiliário e setor automóvel

Nestes setores, o brinde acompanha frequentemente um momento de elevado valor emocional e financeiro. Mais do que surpreender, deve transmitir cuidado e estar relacionado com a entrega. Pastas para documentação, porta-chaves com acabamentos resistentes ou acessórios úteis para a nova casa ou automóvel são opções coerentes com o contexto.

Retalho e negócios de proximidade

Em negócios baseados na recorrência, o objetivo é que o cliente se lembre da marca de forma regular e natural. Os produtos mais eficazes são frequentemente aqueles que resolvem pequenas necessidades do quotidiano. É aqui que os clássicos reinventados ganham força. Porta-chaves, sacos reutilizáveis, abre-cápsulas ou acessórios para carrinhos de compras podem resolver pequenas necessidades e manter a marca presente sem depender de uma comunicação constante.

Hotelaria, restauração e turismo

Aqui, o brinde é um souvenir de um momento de lazer. Tem de carregar a atmosfera do lugar. Deve contar uma história e, se possível, ser instagramável. Sacos de praia em algodão orgânico, chapéus de palha para o verão, velas ou canecas de cerâmica com ilustrações exclusivas são algumas ideias.

Tecnológicas, startups e escritórios

Para o público tech, a funcionalidade deve ter prioridade sobre a novidade. Organizadores de cabos, suportes para telemóvel, colunas Bluetooth compactas ou tapetes de rato com carregamento sem fios integrado podem ser úteis, desde que sejam compatíveis, resistentes e fáceis de utilizar. Um gadget pouco fiável pode transmitir precisamente o contrário da inovação que a marca pretende comunicar.

Saúde e bem-estar

Em clínicas, farmácias, estúdios de pilates ou espaços de bem-estar, a escolha deve transmitir cuidado sem invadir a esfera pessoal do destinatário. Garrafas reutilizáveis, toalhas de microfibra, bolsas organizadoras ou acessórios de relaxamento podem ser adequados, desde que os artigos e respetiva utilização sejam compatíveis com o contexto.

Como adaptar o mesmo produto a diferentes setores

Se a esta altura pensa que precisa de comprar vários brindes diferentes para impactar públicos distintos, a resposta é simples: não! O material, o formato, a funcionalidade e a técnica de personalização podem alterar significativamente a forma como o mesmo objeto é utilizado e percebido.

Para entender como a flexibilidade funciona na prática, olhemos para um dos objetos mais transversais do quotidiano: os porta-chaves personalizados. Como é que um único conceito se molda a indústrias tão opostas?

Por exemplo, no setor imobiliário, um modelo em metal, madeira ou pele pode acompanhar a entrega de uma nova casa. No setor automóvel, podem privilegiar-se a resistência, os acabamentos metálicos ou uma função de localização. Na hotelaria, materiais como a madeira ou a cortiça podem ser alinhados com a identidade do alojamento. Já no retalho, funcionalidades como uma moeda para carrinho ou um abre-cápsulas acrescentam utilidade ao produto. Em empresas tecnológicas, o mesmo conceito pode integrar um cabo de carregamento ou uma função multifunções.

O produto mantém-se, mas a sua configuração muda de acordo com o contexto, o destinatário e a utilização esperada. Quando uma marca domina esta arte, deixa de entregar apenas um brinde descartável e passa a oferecer uma solução inteligente, garantindo o seu espaço no dia a dia do consumidor de forma natural e altamente relevante.

Escolher para quem recebe, não para quem compra

Um dos erros mais frequentes é escolher o produto com base nas preferências de quem aprova a encomenda, e não nas necessidades de quem o vai receber. O diretor de marketing pode valorizar um acabamento sofisticado, mas o utilizador final poderá preferir um objeto mais simples, leve e funcional.

O brinde mais eficaz não é necessariamente o mais caro ou o mais original. É aquele que faz sentido para o setor, para o público e para o momento em que é entregue. Quando existe coerência entre estes elementos, o objeto deixa de ser apenas promocional e passa a fazer parte da experiência da marca.

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