Depois do Jeep Compass 100% eléctrico, chegou a vez de experimentar aquela que, para muitos, será, provavelmente, a versão mais interessante da gama: a MHEV.
Quando um modelo automóvel tem versões EV e MHEV, a nossa bússola inclina-se quase sempre para a que permite ter o melhor dos dois mundos. E, neste caso, mesmo que não possamos ligar uma ficha a este Jeep, a verdade é que o conjunto mild-hybrid deste Compass foi um dos que melhor desempenho teve nos nossos testes.
À primeira vista, quase nada distingue o MHEV do EV que conduzimos no passado fim-de-semana. Por fora, este Compass mantém a mesma linguagem estética do eléctrico, com uma frente dominada pela grelha de sete ranhuras, uma assinatura histórica da Jeep, agora reinterpretada com elementos fechados e barras iluminadas que fazem a separação entre cada secção.
Atrás, surgem ópticas horizontais unidas por uma barra luminosa que atravessa toda a largura da mala, com o logótipo Jeep iluminado ao centro. Nada de novo, portanto, em relação ao modelo 100% eléctrico. Uma das principais diferenças visuais está nas jantes. Nesta versão encontramos jantes de dezoito polegadas em cinzento escuro, mais discretas do que as impressionantes de vinte polegadas do Compass EV.

Outra coisa que se mantém são os pequenos detalhes que fazem parte da identidade da marca, com os chamados ‘easter eggs’ espalhados por todo o veículo. Voltamos a encontrar a silhueta frontal do clássico Willys em vários pontos, incluindo os conjuntos ópticos e o volante. No pára-brisas surge o desenho de um Jeep equipado com uma tenda de campismo. Já por baixo do spoiler traseiro continua escondida a pequena borboleta gravada nos plásticos da carroçaria, um detalhe que já nos tinha chamado a atenção na versão eléctrica.
No interior, as diferenças são praticamente inexistentes. O ambiente continua a misturar o espírito aventureiro de um verdadeiro Jeep com um nível de requinte que o aproxima de modelos premium. Os tapetes em borracha com relevos inspirados em terrenos fora de estrada reforçam a vertente prática, enquanto os materiais combinam superfícies macias revestidas a pele com plásticos rugosos decorados com o padrão em forma de ‘X’ que também aparece nos grupos ópticos.
O sistema de infoentretenimento mantém exactamente as mesmas qualidades e limitações que encontrámos no Compass EV. A versão First Edition surge igualmente equipada ao mais alto nível, com bancos dianteiros eléctricos, aquecidos e com função de massagem, volante aquecido e sistema de som premium Focal. Fora isso, tivemos ainda direito a um generoso conjunto de extras.

A pintura Castanho Amazónia bi-tom com tejadilho preto acrescenta 1200 euros à factura; o Pack ADAS custa 1750 euros, o Convenience Pack soma 750 euros e o Premium First Edition, que inclui elementos como iluminação ambiente configurável, sistema Focal, carregador sem fios e bancos com massagem, mais 1700 euros. A fechar a lista surge o tecto panorâmico de abrir, por 1200 euros.
Debaixo do capot encontramos um motor 1.2 turbo assistido por um eléctrico de 21 kW. Em conjunto, são 145 cv (213 no EV) e 230 Nm de binário, com uma bateria de apenas 0,9 kWh e transmissão automática de dupla embraiagem E6.e-bis DCT6 de seis velocidades, também com interacção garantida com as patilhas localizadas atrás do volante. Quando no Compass EV serviam para ajustar os níveis de regeneração, aqui recuperam a sua função tradicional e permitem controlar manualmente a caixa automática de seis velocidades.
Por falar em regeneração, foi precisamente aqui que surgiu uma das maiores surpresas do ensaio. A Jeep anuncia uma autonomia combinada próxima dos oitocentos quilómetros e consumos de 5,6 l/100 km. No nosso teste, percorremos 375 quilómetros e terminámos com uma média de 5,7 l/100 km, com 560 de autonomia disponível.

Mas mais impressionante foi assistir à evolução da estimativa ao longo do primeiro dia. Saímos do parque de imprensa da Stellantis com cerca de 800 quilómetros indicados no painel de instrumentos e, após vários percursos mistos e uma condução particularmente cuidada, esse valor chegou aos 920.
Sabemos que estas estimativas são dinâmicas e acabam por se reajustar à realidade, mas continua a ser surpreendente ver um Jeep “ganhar” cerca de 120 quilómetros apenas graças à recuperação de energia e à eficiência do sistema híbrido.
É precisamente aqui que, na nossa opinião, este Compass encontra o seu maior argumento: o preço base de 47 600 euros representa uma diferença de 13 700 euros face à versão totalmente eléctrica, mas continua a oferecer um nível de equipamento muito semelhante, preserva a identidade visual do novo Compass e acrescenta uma versatilidade que o EV dificilmente consegue igualar.

Depois de conduzir este último, a diferença para este sente-se imediatamente. Mesmo com o modo ‘Sport’ activo, nunca existe aquele impulso instantâneo que cola o corpo ao banco. A resposta é mais progressiva, mais linear e tranquila. Os números provam esta sensação: a aceleração dos 0 aos 100 km/h cumpre-se em 10,3 segundos (8,5 no EV) e a velocidade máxima atinge os 188 km/h.
A explicação também pode estar na própria arquitectura do sistema. Enquanto no Compass EV o binário surge de imediato (345 contra 230 Nm), aqui, o motor eléctrico funciona como assistente do motor térmico, pelo que o foco está na eficiência e na suavidade de utilização, não no desempenho puro. A pequena bateria de 0,9 kWh deixa isso bem claro.
Curiosamente, um dos aspectos mais interessantes deste Compass acabou por surgir, de forma natural, longe do asfalto. Desta vez levámo-lo até à zona da Lagoa de Albufeira, Praia do Meco e Herdade do Cabeço da Flauta para, entre areia solta, pequenas dunas e trilhos mais irregulares, darmos largas ao modo ‘Areia/Lama’.

Assim que o fazemos, e tal como já tínhamos sentido no EV, a transformação é imediata: o acelerador passa a responder de forma muito mais progressiva e a electrónica privilegia a motricidade em detrimento da rapidez de reacção. O Compass atravessou, assim, zonas de areia solta e pequenas dunas com facilidade e em momento algum transmitiu insegurança ou nervosismo.
Nem esperávamos outra coisa: este Compass avançou sempre com confiança e controlo. Mesmo sem pretensões de ser um TT extremo, demonstrou uma competência fora de estrada que honra verdadeiramente o nome ‘Jeep’. Além disso, tem uma autonomia para viagens longas, consumos contidos, boa capacidade fora de estrada, equipamento abundante e um preço significativamente mais acessível. Ou seja, é a proposta mais racional do novo Compass.


















