Vilar de Mouros levanta voo nas asas de The Legendary Tigerman e dos Delfins

O primeiro dia foi marcado por uma programação exclusivamente nacional, uma escolha que sublinhou o talento português.

©Hugo Santa Marta | Vilar de Mouros 2024
©Hugo Santa Marta

O Festival Vilar de Mouros 2024 arrancou ontem com o cenário idílico que já se tornou sinónimo deste evento histórico.

Situado no coração do Alto Minho, este festival não é apenas um palco para a música, mas também uma celebração da cultura e da comunidade locais. A aldeia inteira de Vilar de Mouros veste-se a rigor para receber os festivaleiros, com as suas ruas e cafés a transbordar de vida e animação.

A festa estende-se muito além dos portões do recinto, envolvendo todos numa experiência única que faz deste festival uma verdadeira instituição no panorama musical português.

O primeiro dia foi marcado por uma programação exclusivamente nacional, uma escolha que sublinhou o talento português. No entanto, apesar de um cartaz promissor, a noite ficou marcada por altos e baixos.

©Hugo Santa Marta | Vilar de Mouros 2024
©Hugo Santa Marta | Não é apenas no recinto principal que há animação: as ruas de Vilar de Mouros enchem-se de pessoas.

O grande destaque pela negativa foi, sem dúvida, o concerto do colectivo Amália, Hoje. Aqueles que esperavam uma reinterpretação vigorosa do fado da diva nacional ficaram profundamente desiludidos.

A actuação com cerca de hora pareceu interminável, como se tivesse durado três. As vozes dos membros mostraram-se frágeis e desprovidas da intensidade que se espera de um projeto que homenageia a grande diva do fado. Em vez de uma celebração da obra de Amália Rodrigues, o espetáculo tornou-se penoso e deixou o público a suspirar por um fim que tardava em chegar.

Por outro lado, The Legendary Tigerman foi uma lufada de ar fresco. O seu concerto foi uma verdadeira ode ao rock and roll, aquecendo o público com uma energia crua e autêntica que evocou o espírito dos grandes ícones do género.

©Hugo Santa Marta | Vilar de Mouros
©Hugo Santa Marta

O seu concerto foi visceral, cativante e cheio de intensidade, lembrandk a todos o poder transformador do rock na sua forma mais pura. Um dos grandes momentos foi a presença do “irmão” de Paulo Furtado em palco: Ray foi o protagonista de um dueto para o tema ‘Bright Lights, Big City’.

O ponto alto da noite, porém, foi a actuação dos Delfins. Com uma carreira repleta de sucessos, a banda de Miguel Ângelo fez jus ao seu estatuto de lenda da música pop portuguesa. Canções como ‘Aquele Inverno’, ‘Cor Azul’ e ‘Sou Como Um Rio’ ressoaram pelo recinto, numa viagem nostálgica que conquistou o público.

Miguel Ângelo esteve impecável: contagiou o público com uma boa energia e uma voz imaculada, que manteve todos em transe até ao último acorde. Foi um concerto triunfal que encerrou o primeiro dia de festival com chave de ouro.

Em suma, o primeiro dia do Festival Vilar de Mouros 2024 foi uma montanha-russa emocional. Embora a actuação dos Amália, Hoje tenha deixado muito a desejar, a energia vibrante de The Legendary Tigerman e o espectáculo memorável dos Delfins garantiram uma abertura digna deste evento icónico.

Espera-se que os próximos dias tragam mais momentos altos e menos decepções, à medida que Vilar de Mouros continua a celebrar a música em toda a sua diversidade.


O TRENDY Report viajou até Vilar de Mouros num Nissan Juke cedido pela Salvador Caetano.

Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].