Tomb Raider Filme

Crítica: Tomb Raider

por • 15 Março, 2018 • Cinema 🎥, Estrelas TRENDY ⭐️Comentários fechados em Crítica: Tomb Raider268 •

Argumento : 76%

Realização : 75%

Casting : 80%

Banda Sonora : 88%

Fotografia: 76%

Roar Uthaug tentou fazer com Tomb Raider o que Nolan fez com Batman. Mas não conseguiu.

Resumo:

Será que foi preciso chamar outra vencedora de um Óscar para colocar Tomb Raider no caminho certo? Alicia, Alicia…

Tomb Raider é daqueles jogos que marcou uma época. Até àquele ano de 1996, nunca ninguém tinha visto nada igual. Uma personagem feminina em 3D, com duas pistolas (e várias outras armas), a explorar locais arqueológicos e tumbas.

Era o Indiana Jones passado a jogo e com um corpo modelado com polígonos, onde ficaram famosos os seios de Lara Croft em forma de prisma triangular.

Conseguíamos fácil perceber que ali havia muita matéria para filmes. E como toda a agente sabe, é raro o videojogo que dá um bom filme. As adaptações com Angelina Jolie (2001 e 2003) vieram provar isso mesmo.

Pouco tinham que ver com os jogos que existiam para as consolas e PC e seguiam histórias deitas de propósito para o grande ecrã. Ok, Angelina Jolie era uma excelente Lara Croft, mas como filme, ambos eram banais.

Entretanto, Tomb Raider (o jogo) foi tendo mais episódios e, em 2013, a editora Square Enix decidiu que era altura de fazer um reset à história de Lara Croft e começar tudo de novo.

O resultado foi, talvez, o jogo mais interessante e bem feito desde Tomb Raider 2. Uma Lara mais humana, mais real, a lutar contra os elementos e sem começar com as típicas armas de fogo: as duas pistolas que sempre a acompanharam em todos os jogos.

A história foi refeita e, aqui, a protagonista era uma Lara de 21 anos, formada em arqueologia, que parte em busca de uma ilha perdida no Mar do Japão, Yamatai, a pedido da família dos descendentes do povo que, em tempo, a habitou.

O que nos contava o jogo era interessante, mas, tal como acontece em 99% das vezes, os argumentistas deitam fora os enredos criados para os jogos, pegam apenas em alguns elementos e colam tudo num guião com muitas novidades.

É o que acontece neste reboot de Tomb Raider, realizado pelo norueguês Roar Uthaug, que até agora só tinha feito produções escandinavas – destaque para Bolgen (Alerta Tsunami), que podemos ver no Netflix.

Desde logo, a primeira grande mudança tam que ver com o background de Lara, que nada tem que ver com arqueologia e estudos académicos.

Neste filme, a protagonista é posta num nível mais perto de qualquer jovem de 21 anos: pratica kickboxing num ginásio de bairro onde tem mensalidades em atraso e tem um emprego de estafeta que entrega comida, numa bicicleta.

Tomb Raider Filme

Esta tentativa de nos dizer que Lara é uma jovem com dificuldades económicas (apesar de ser herdeira de um império) e que trabalha numa espécie de UberEATS em Londres funciona.

Infelizmente, é uma das poucas coisas que funciona no filme, onde a história continua a mudar em relação ao jogo em que se baseia. Aqui, Lara vive num dilema: assina os papéis que atestam a morte dos eu pai e a fazem herdar o império Croft ou continua à espera que o progenitor regresse de uma viagem.

A caracterização desta Lara é a de muitos jovens rebeldes. ela própria, quando confrontada com a riqueza e a vida de luxo que podia levar, descansada em Londres, diz: «Eu não sou uma dessas Croft».

E é aqui que o filme realmente começa: Lara segue uma pista deixada pelo pai no seu testamento e chega à conclusão de que Richard Croft embarcou numa viagem a uma ilha perdida no Mar do Japão, em busca do túmulo de uma deusa da mitologia nipónica: Himiko.

Mais uma vez a história do filme diverge da do jogo: aqui, é uma ordem militar chamada Trinity que tenta chegar ao túmulo primeiro para ficar na posse dos poderes sobrenaturais que o corpo de Himiko promete dar a quem o conseguir encontrar.

Depois, de Lara chegar à ilha, os fãs do jogo de 2013 vão ver algumas cenas decalcadas, com toda a acção a ter os clichés normais deste tipo de filme.

Lara é apanhada, Lara foge, Lara mata gente com arco e flecha, Lara é capturada e, tal como Indiana Jones em A Grande Cruzada, é usada pelos vilões para entrar na tumba e guiar a entourage por um caminho onde há uma série de provações.

Vamo-nos lembrar muito do percurso de Indiana Jones para chegar ao Santo Graal e de cenas de O Templo Perdido. Mas a verdade é que nem Lara e Indiana Jones, nem Roar Uthaug é um Spielberg.

A sensação é a de que estamos a ver diálogos que parecem cutscenes de um dos dois jogos desta nova série Tomb Raider, mesmo com algumas cenas de acção a serem filmadas como se fossem um jogo.

Alicia Vikander dá uma nova vida a Lara, mas todo o ecossistema que a rodeia é algo pobre; o filme não é muito sólido e cai muitas vezes no simplismo para resolver situações de tensão, como a personagem que se sacrifica para salvar o mundo.

Tomb Raider começa bem e parece que vamos ter um filme parecido ao que Nolan fez com a sua trilogia Batman. Mas isso não acontece. O que é pena, principalmente por Alicia e pelos fãs.


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