Ainda que a era digital permita esbater fronteiras comunicacionais, também ergue barreiras na gestão entre o tempo profissional e o pessoal. A facilidade de comunicar, graças a recursos como dispositivos móveis e plataformas digitais, trouxe uma flexibilidade sem precedentes aos trabalhadores. No entanto, a capacidade de ligar/desligar do trabalho para focar no tempo de lazer e vice-versa implica desafios e riscos para muitos.
A separação entre o espaço e o tempo de trabalho e de lazer tornou-se menos clara com os avanços tecnológicos dos últimos anos, principalmente com a ampliação do teletrabalho. Por isso, as empresas estão a adaptar-se ao cenário atual, assim como há avanços na legislação para regular esta dinâmica.
Existem questões fundamentais relativamente ao futuro, como a definição dos limites saudáveis para os trabalhadores, que estratégias adotar para aumentar a produtividade sem prejudicar a qualidade de vida e qual o papel que as organizações devem ter.
Entenda como existem riscos associados ao mundo do “always-on” e de que forma é possível encontrar um equilíbrio para atingir uma vida plena e, ao mesmo tempo, garantir a sua produtividade.
Trabalhadores “sempre ligados”: preservar a qualidade de vida sem comprometer o trabalho
A facilidade de acesso a dispositivos móveis implica que o escritório, ou outro espaço de trabalho, deixe de ser um lugar físico e com um horário restrito. Afinal, independentemente do local ou da hora, os trabalhadores conseguem estar conectados constantemente ao e-mail através do telemóvel.
Isto permite que sejam mais autónomos e conciliem a vida profissional com os compromissos pessoais, embora crie outros desafios. Ao estar sempre ligado ao escritório, o trabalhador é, muitas vezes, contactado fora do horário laboral. Também pode ser o próprio trabalhador quem não consegue desligar completamente do trabalho e, assim, aumenta o risco de stress, ansiedade e burnout.
A facilidade de acesso ao trabalho por via das tecnologias digitais exige um esforço para estabelecer limites e preservar a qualidade de vida. Isto sem comprometer o desempenho racional e sustentável das tarefas profissionais.
Que vantagens e riscos traz o teletrabalho?
Uma das modalidades que tem conquistado espaço, nomeadamente após a pandemia de Covid-19, é o teletrabalho. Resumidamente, o trabalhador realiza, a partir de casa, as tarefas que normalmente desempenharia no escritório, com recurso a tecnologias.
Existem, ainda, outras modalidades, como o trabalho híbrido, que mistura trabalho remoto e dias presenciais no escritório. Outro método passa pela atribuição de horários flexíveis aos trabalhadores, o que permite ajustar as horas de trabalho ao ritmo pessoal e às necessidades do profissional.
O teletrabalho dá maior autonomia aos trabalhadores, permite reduzir custos e até ter um ambiente de trabalho que proporcione mais rendimento. O Eurofound destaca que os trabalhadores ganham flexibilidade com o trabalho remoto. Já em 2019, o estudo “State of Remote Work 2019”, da Owl Labs, indicava que 91% dos profissionais em trabalho remoto relataram um melhor equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Já 79% dos inquiridos descreveram um aumento de produtividade e foco, enquanto 78% destacaram a diminuição de stress.
De maneira geral, a maioria apresentou uma perceção positiva relativamente a esta posição. No entanto, existem desafios a ter em conta.
Com o teletrabalho, pode existir uma dificuldade acrescida em estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal, além de promover o isolamento social e exigir maior autodisciplina aos trabalhadores. Além disso, nem todos os trabalhadores têm acesso à infraestrutura digital e condições adequadas para teletrabalho. Outra das adversidades prende-se com a exposição a distrações.
Por isso, reservar momentos de descanso e lazer é essencial. Quer seja a praticar desporto, ver um filme na Netflix ou divertir-se em espaços de entretenimento online como o casino BacanaPlay, é crucial encontrar opções descontraídas para aliviar o stress do dia e recarregar energias. Também os hábitos culturais e de lifestyle têm ganho nova centralidade neste contexto, plataformas como o Trendy.pt, dedicadas às tendências contemporâneas, mostram como gastronomia, mobilidade e bem-estar se tornaram parte do equilíbrio procurado por muitos trabalhadores.
O que estão as empresas a fazer para alcançar o equilíbrio perfeito?
Não só as organizações estão a responder à era da hiperconectividade, mas também os próprios países têm atuado nesse sentido. Os focos ao nível da legislação passam pelo direito a desligar, horários flexíveis, pausas programadas e apoios institucionais.
A União Europeia recomenda que as empresas restrinjam o contacto fora do horário normal e incentiva a adaptação de horários. Outros organismos internacionais têm apelado a intervalos mínimos obrigatórios, de forma a combater a fadiga e eventual esgotamento dos trabalhadores.
E a preocupação com a saúde mental tem aumentado de ambos os lados. Um estudo anual da Randstad revelou que mais de metade dos profissionais dá prioridade ao equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. 57% afirmam que rejeitariam uma proposta de trabalho que comprometesse essa harmonia, especialmente se implicasse perda de flexibilidade, como o teletrabalho. Por sua vez, 55% só considerariam mudar de emprego mediante um aumento salarial significativo.
O ponto de situação em Portugal
Em países como a França, por exemplo, já estão em vigor políticas de “direito a desligar”. Em Portugal, existem orientações nesse sentido e o governo também apoia iniciativas de saúde mental e bem-estar no trabalho, alinhadas com as tendências e recomendações europeias.
Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), cerca de um em cada cinco profissionais em Portugal (1.1 milhões de pessoas) trabalhou remotamente no final de 2024. A maior parte destes profissionais estava inserida num modelo de trabalho híbrido.
Já através da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), o governo português tem reforçado a supervisão das condições de trabalho, quer nos empregos presenciais, quer nos trabalhos à distância.
No entanto, as políticas de flexibilidade ainda carecem de maior investimento, nomeadamente nos grupos tradicionalmente mais vulneráveis. Em Portugal, as mulheres podem apresentar mais dificuldades em alcançar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, devido à persistência de desigualdades na divisão do trabalho doméstico.


















