O formato passaporte parece ser o melhor para dobráveis… e isto levanta uma questão.
A pergunta, sem mais rodeios, é: se este form factor é assim tão bom, segundo a própria Samsung, porque é que só no ano em que a Apple vai estrear o formato fold num iPhone (é precisamente apresentado hoje) é que a marca coreana se lembra de lançar um modelo com estas dimensões?
A resposta é simples e já tinha sido dada em 2025, quando lançou o smartphone slim Edge: uma cópia por antecipação. No ano passado, a Samsung também se lembrou, por acaso, de que fazia falta ter um modelo finíssimo no seu portfólio, dado que meses depois a Apple iria também anunciar um smartphone assim, o Air.
A jogada correu mal a ambas as marcas: ninguém quis saber nem de um nem de outro, dois péssimos telemóveis que em nada acrescentavam ao que já havia. Bastava colocar uma capa nos dois para se perceber que o argumento slim ia por água abaixo.

Mas, em 2026, o panorama pode ser bem diferente (duvidamos que o iPhone dobrável seja um flop) e a Samsung, que faz os ecrãs para a Apple, percebeu logo o hype do que vai acontecer em Setembro. Não restava outra estratégia, senão a da antecipação; e, pelo que vemos com o Z Fold8 (que fica com o nome do dobrável em livro da Samsung), este é mesmo o formato mais interessante até agora para um foldable.
Na verdade, parece que temos mesmo um pedaço de futuro nas mãos: este telemóvel (cujos preços começam nos 2069,90 euros) é muito natural de segurar, compacto q.b., versátil e construído de forma exemplar pela marca coreana. Dos materiais aos acabamentos, tudo parece ter sido feito com precisão de ourives. O ecrã frontal, com 12 x 7,5 centímetros e 5,5 polegadas, até pode parecer demasiado pequeno para quem está habituado a displays de seis ou sete polegadas, mas é curioso perceber como, passado pouco tempo, se torna confortável.
Mas é quando abrimos o Z Fold8 que percebemos a grande vantagem deste formato: os conteúdos em vídeo ocupam de forma mais “racional” o ecrã de 7,6 polegadas (15 x 11,5 cm); depois, para ver conteúdos nas redes sociais, como o Instagram ou o TikTok, basta rodar e colocar na vertical, para que os reels e afins encham quase por completo o ecrã. Em ambos os casos, as experiências de consumo são muito boas e tiram bom partido deste novo formato ‘passaporte’.

Também acaba por ser na “fornada” de dobráveis deste ano que a Samsung estreia um novo tipo de ecrã, com a tecnologia Flex Titanium. Na altura em que anunciou esta inovação, a marca coreana garantiu que isto iria «reduzir a visibilidade do vinco e melhorar a qualidade de imagem». E, pelo que tivemos oportunidade de ver, pelo menos a parte do vinco é mesmo real: quando usamos o Z Fold8, esta marca torna-se imperceptível, algo que em modelos anteriores era impensável.
O que falta é a tecnologia de privacidade que a marca estreou este ano nos S26, algo que tem de ficar de fora devido, precisamente, ao facto de não ser compatível com ecrãs dobráveis. Quanto à qualidade da imagem, já estamos num nível em que é impossível apontar falhas: 120 Hz, brilho de 3000 nits e os mais de 400 ppi deste modelo tornam a experiência de visualização muito boa, mesmo num dia de sol intenso.
A grande sensação que tivemos ao testar este novo formato dobrável foi a de que, realmente, e pela primeira vez em alguns anos (talvez desde o iPhone X), temos mesmo um smartphone inovador e diferenciado nas mãos. O estado de graça da Samsung tende, contudo, a durar pouco, pois a apresentação do “boss final” deste mercado está aí à porta.
















