World Rugby em Portugal: fenómeno desportivo ou social?

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O râguebi nunca foi, em Portugal, um desporto de massas. Cresceu à sombra do futebol, dependeu de clubes universitários e de uma base de praticantes relativamente pequena. Mas algo mudou na última década – não de forma dramática, mas de forma consistente. O que se vê hoje não é uma explosão repentina, é uma acumulação de pequenas mudanças que, juntas, estão a redesenhar o lugar desta modalidade no país.

O que os números dizem sobre o crescimento do rugby union

O ponto de partida mais honesto são os dados federativos. Antes do Campeonato do Mundo de 2007, Portugal contava com 2.726 atletas federados. Na temporada seguinte, esse número quase duplicou para 4.723 praticantes – um efeito direto da visibilidade gerada pela presença dos Lobos em França, conforme documentado pelo jornal Record. Esse impulso não se manteve de forma linear, mas criou uma base que foi crescendo noutros segmentos, sobretudo nos escalões jovens.

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A Federação Portuguesa de Rugby regista que, nos últimos oito anos, o número de praticantes de rugby union no escalão sub-14 passou de 874 para 2.500 jovens, segundo os dados do programa de rugby juvenil da própria federação. Este crescimento nos escalões de formação é, provavelmente, o indicador mais relevante para perceber se o desporto está a criar raízes ou apenas a atravessar um ciclo de popularidade temporária.

A tendência não é exclusivamente portuguesa. O World Rugby divulgou que em 2023 a modalidade era praticada por 8,46 milhões de jogadores em 132 federações nacionais, representando um crescimento de 11% face ao ano anterior, de acordo com o comunicado oficial da organização. Mais de metade desses praticantes, 57%, têm menos de 12 anos – o que aponta para uma aposta clara no rejuvenescimento da modalidade a nível global.

Rugby league e rugby union: principais diferenças para o público português

O rugby league é modalidade distinta, com regras e dinâmicas próprias. Para quem começa a acompanhar o desporto, a confusão entre as duas vertentes é frequente. Os pontos que mais as distinguem são os seguintes:

  • Número de jogadores – o rugby union disputa-se com 15 jogadores por equipa, o league com 13;
  • Regra do tackle – no league, após seis tackles consecutivos a equipa perde a posse de bola; no rugby union existe a formação ordenada e a disputa no chão (ruck e maul);
  • Pontuação – os valores atribuídos a ensaio, pontapé de baliza e transformação diferem entre as duas modalidades;
  • Implantação em Portugal – o union tem estrutura federativa consolidada e competições nacionais regulares; o rugby league não tem presença organizada no país.

Em Portugal, quando se fala de râguebi a crescer, fala-se essencialmente de rugby union, de sevens e de touch rugby como modalidades de entrada para novos praticantes.

Os rugby mercados e a dimensão económica do desporto

A ideia de mercados – isto é, o conjunto de atividades económicas, mediáticas e de apostas rugby VivatBet associadas à modalidade – ganhou dimensão em Portugal à medida que os grandes torneios internacionais se tornaram mais acessíveis. O Six Nations, o Rugby Championship e os Mundiais chegam hoje por diversas plataformas, e o interesse em acompanhar esses torneios trouxe consigo uma audiência que vai além dos praticantes federados.

Os principais torneios internacionais que alimentam os mercados de rugby em Portugal são hoje acompanhados com regularidade crescente por apostadores e adeptos. Cada competição tem características próprias que determinam o volume de interesse gerado:

  • Six Nations – o torneio anual entre as seis nações europeias de topo, com grande cobertura mediática e mercados de apostas diversificados;
  • Rugby Championship – competição do Hemisfério Sul entre Argentina, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, com jogos de alto nível técnico;
  • Campeonato do Mundo – realizado de quatro em quatro anos – é o evento com maior impacto em termos de audiência e de novos praticantes;
  • Rugby Europe Championship – o torneio continental onde Portugal compete diretamente, com relevância particular para o público nacional;
  • Sevens Series – circuito mundial de sevens, formato mais rápido e acessível que atrai um perfil diferente de espectadores.

As casas de apostas nacionais passaram a incluir mercados de râguebi mais completos do que há dez anos, reflexo direto do crescimento do interesse do público. Em Portugal, esse crescimento é modesto, mas mensurável: há mais apostadores a acompanhar o Top 14 francês ou o Premiership inglês do que havia há uma década.

Comparação entre vertentes e formatos do jogo em Portugal

Para perceber onde o râguebi português está posicionado face às diferentes modalidades e formatos, é útil comparar o estado atual de cada vertente no país. A tabela seguinte resume os aspetos mais relevantes:

Formato Estrutura nacional Competições regulares Perfil de praticante Visibilidade mediática
Rugby union XV Sim, FPR Divisão de Honra e regionais Clubes e universidades Reduzida, pontual
Rugby union Sevens Sim, FPR Circuito nacional e europeu Jovens e atletas polivalentes Moderada em anos olímpicos
Touch rugby Informal Torneios locais e empresariais Entrada, misto de idades Muito reduzida
Rugby league Não consolidada Sem competição nacional regular Residual Quase inexistente

 

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O que falta para o râguebi se tornar verdadeiramente transversal

O crescimento existe, mas tem limites claros que se repetem nos diagnósticos feitos pela própria federação e por antigos praticantes. Os obstáculos mais concretos ao desenvolvimento da modalidade em Portugal podem agrupar-se da seguinte forma:

  • Infraestruturas insuficientes – fora de Lisboa e Coimbra, poucos clubes dispõem de campos adequados para treinar e competir com regularidade; cidades como o Porto ou o Algarve têm condições limitadas para o crescimento da modalidade;
  • Perceção social – a ideia de que o râguebi é um desporto de contacto físico intenso e de risco afasta famílias, sobretudo quando a alternativa é uma modalidade sem colisão direta;
  • Falta de exposição televisiva – sem transmissões regulares em canal aberto ou nos pacotes básicos de cabo –, o interesse gerado por grandes eventos não se converte em audiência habitual.

O rugby português está a crescer, mas de forma gradual e estruturada, não com a velocidade de um movimento viral. O que distingue este momento de outros ciclos anteriores é a consolidação nos escalões de formação – são esses jovens que vão determinar o patamar de praticantes e apoiantes daqui a dez anos.

O World Rugby continua a investir no desenvolvimento de nações emergentes, e Portugal enquadra-se nessa categoria, com margem real para crescer tanto em número de praticantes como em exposição internacional. Se isso vai traduzir-se num fenómeno social mais amplo, depende, em grande parte, de decisões que se tomam agora: nos clubes, nas escolas e nas políticas de desporto federado.

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