BAT Glo Hyper+. Experimentámos a nova máquina de tabaco aquecido que quer ser a concorrente da IQOS

©TRENDY | BAT Glo Hyper Plus
©TRENDY | BAT Glo Hyper Plus

A máquina de tabaco aquecido da British American Tobacco chegou finalmente ao mercado português. A Glo Hyper+ tem alguns argumentos para conquistar utilizadores.

Não há outra forma de encarar o mercado de tabaco aquecido em Portugal: a IQOS era, até há cerca de um mês, a única solução deste tipo no País, uma posição que manteve durante cerca de sete anos.

Qualquer marca que entrasse neste mercado, para fazer frente a um sistema que se tornou sinónimo do produto que vende, tinha uma tarefa bastante difícil.

Primeiro, porque Portugal é mesmo um dos melhores países do mundo em termos de quota de mercado para a solução da PMI, distribuído pela Tabaqueira; segundo, porque a IQOS tem um apelo tecnológico difícil de bater, quase como uma love brand no seu segmento, um estatuto a que o tabaco convencional não chega.

Limpeza simplificada e escova incluída

Depois de alguns dias a consumir o tabaco aquecido da BAT com a Glo Hyper+, a nossa percepção é de que esta realidade não vai mudar. O grande argumento é o preço: esta máquina é mais acessível custa apenas 15 euros, quando a IQOS 2.4 Plus fica por 19 e a 3 Duo está a 39 euros – estes preços, que baixaram nas últimas semanas, podem ser o indício de que a chegada a Iluma está para breve.

Depois, o sistema de aquecimento de tabaco: como a Glo Hyper+ aquece o fora para dentro, não existe uma lâmina como na IQOS, que se insere no cigarro. Isto significa que a limpeza da máquina é mais simples que uma Duos 3 ou 2.4 Plus – na caixa vem mesmo uma escova.

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©TRENDY | A limpeza da Glo Hyper+ é feita com uma escova (incluída na caixa), que se usa por um orifício que fica na base.

Para limpar a máquina, é preciso abrir a portinhola que está na base e inserir a escova, um procedimento que a marca sugere fazer a cada vinte utilizações; também é preciso remover a humidade gerada pelo consumo de tabaco: basta usar um simples lenço de papel, na mesma “porta” da base.

Em si, a Glo Hyper+ é uma máquina compacta, com sensivelmente as mesmas dimensões de uma caixa de fósforos ou de pastilhas; quer a IQOS Duos 3 ou 2.4 Plus são maiores e ainda têm a “caneta” onde se colocam os Heets. Ou seja, temos de andar sempre com dois dispositivos, enquanto o sistema da BAT é tudo-em-um.

Aroma e sabor do tabaco BAT é “estranho”

Das máquinas, passamos para o tabaco, o Neo. A BAT tem as versões mais clássicas que se assemelham aos cigarros convencionais, assim como alternativas com sabor a citrinos, frutos vermelhos e mentol (duas versões).

A quantidade de tabaco é de 6,8 gramas por cigarro, enquanto os Heets têm 5,5 (versão Blue); os da BAT são mais finos e compridos que os Heets e têm menos filtros que os seus “rivais’, incluindo uma zona oca a meio do cigarro. Há ainda uma bolinha de mentol que tem de ser partida.

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©TRENDY | Um cigarro da BAT (os Neo) tem mais tabaco que os Heets.

Contudo, enquanto o tabaco da IQOS tem um aroma agradável, o da BAT é desagradável, pelo menos na versão Arctic Click (o tabaco mentolado mais forte); o cheiro que fica parece o de um after-shave barato, cruzado com aquele odor dos sofás antigos, da casa da avó. O tabaco equivalente Heets, o Blue, é incomparavelmente melhor, quer em sabor, quer em odor.

Dois modos, mas pouco intuitivos de usar

A forma de uso é igual nas duas máquinas: também na Glo Hyper+ carregamos num botão, circular e com um aro iluminado, para activar o aquecimento; passados alguns segundos, a luz fixa e podemos começar a usar o sistema.

O tempo de consumo anda entre os quatro e os cinco minutos, com uma espécie de período suplementar de dez a quinze segundos em que é possível dar mais um ou dois “bafos”, depois de a máquina avisar (por vibração) que o tempo chegou ao fim.

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©TRENDY | As dimensões (altura e largura) da Glo Hyper+ assemelham-se a uma caixa de pastilhas.

Como um carregamento dá para vinte cigarros (demora cerca de três horas e meia), não há tempo de espera entre consumos, o que se verifica na IQOS. Aqui, há que ter atenção numa coisa; ao contrário da sua rival, a BAT não inclui um carregador na caixa, apenas um cabo USB-C.

A Glo Hyper+ tem ainda dois modos de utilização, Standard e Boost, que obrigam a carregar de diferentes formas no botão da máquina para serem activados: achámos este procedimento algo complicado e nada intuitivo.

Glo Hyper+ tem argumentos, mas IQOS é superior

Em jeito de conclusão, e depois de usarmos q.b. a Glo Hyper+ da BAT, podemos dizer que este sistema tem alguns argumentos para conquistar utilizadores: é compacta, fácil de limpar e tem um preço acessível, com cada maço de tabaco a ficar por 3,5 euros (os Heets custam 4,5 euros).

Contudo, a IQOS parece-nos estar mais à frente no que a tecnologia diz respeito, assim como no aroma/sabor do tabaco, além de ser uma marca com sete anos de mercado e uma base de utilizadores muito sólida. Neste contexto, a missão de conquistar uma boa quota de mercado de tabaco aquecido em Portugal pode ser algo difícil para a BAT.

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].