Velocidade, entretenimento e sustentabilidade: as tendências que irão marcar os próximos 10 anos

©Joshua Coleman
©Joshua Coleman

A última década serviu de palco a múltiplas alterações a nível global, que parecem enraizar-se gradualmente nas sociedades hodiernas e, por consequência, marcar os próximos anos de forma indelével.

Estas alterações foram precipitadas pela célere evolução tecnológica, a maior preocupação com problemas sociais e as mudanças comportamentais decorrentes destes dois acontecimentos. Tendo em conta a maior valorização do “eu”, as questões ambientais ou a velocidade que a tecnologia empresta ao nosso dia-a-dia, perspetiva-se uma consideração cada vez maior de categorias que hoje já gozam de alguma importância, mas que terão um papel central no futuro.

A preocupação com o corpo será uma tendência marcada nos próximos 10 anos, começando desde logo com a promoção de um estilo de vida ativo. A retórica relativa ao exercício físico não é de agora e nota-se em Portugal uma crescente popularização das caminhadas e de desportos indoor, como o padel ou a escalada. Contudo, o cuidado com o bem-estar e equilíbrio do corpo humano não se fica pela parte física e, por isso, espera-se que o yoga e a meditação também ganhem outra importância a nível global.

A alimentação saudável assente em proteínas saudáveis e fáceis de preparar servirá de alicerce a este estilo de vida anti sedentário, numa altura em que existe uma ação cada vez mais criteriosa relativamente ao consumo de carne e, por conseguinte, mais adeptos do vegetarianismo.

Existem mais de sete milhões de smartphones em Portugal e o papel fundamental dos dispositivos móveis é outro dos traços importantes do futuro próximo. Os telemóveis e tablets conquistaram um papel central na vida das pessoas, sendo muitas vezes a primeira coisa com a qual interagimos de manhã e a última antes de dormir.

Hoje em dia, os smartphones funcionam como pequenos computadores que transportamos no bolso, e a comodidade que fornecem garante esse lugar de destaque nas nossas vidas. Desde os emails às fotografias, passando pelas notícias, os vídeos e as aplicações, tudo cabe dentro do pequeno ecrã. Apesar disso, não é descabido pensarmos que poderá existir um dispositivo que substitua os atuais smartphones, como foi tentado com os wearables. Certo é que essa tecnologia será sempre móvel, para que possa ser usada em qualquer lado a qualquer hora.

O culto do “eu” e a utilização das redes sociais aliados ao empreendedorismo e ao trabalho remoto resultarão no aparecimento de ainda mais marcas pessoais, o que requererá conhecimentos mais avançados de marketing pessoal.

Este fenómeno levará a uma comunhão ainda maior entre marcas e influenciadores, deixando por vezes de ser claro quem é o quê. O marketing pessoal já é bastante comum em Portugal e não é mais do que a promoção (ou autopromoção) do indivíduo, tendo em vista o desenvolvimento de uma imagem pública forte e a potenciação de maiores e melhores oportunidades profissionais.

Pode ser feito em blogs, redes sociais, canais de YouTube ou podcasts, estando normalmente associadas a uma área de especialização técnica. Para além da parte profissional, este será também um mercado atrativo para as próprias marcas colocarem conteúdo e imiscuírem-se nas audiências destas pessoas.

O fluxo cada vez maior de informação faz com que as pessoas estejam muito mais devotas a causas e se batam por elas, tanto online como offline. A sustentabilidade e a igualdade são conceitos bastante atuais e que prometem continuar a proliferar nos meios de comunicação que conhecemos em Portugal.

Este sentimento de reivindicação de uma realidade mais justa tem raízes no digital, onde estes assuntos se difundem como fogo em folhas secas, e espera-se que no futuro estas causas saiam mais do ecrã para a rua. De resto, esta aliança entre o que se passa no online e no offline será também uma nota dominante na próxima década.

Por último, espera-se que a ludificação através dos jogos tenha uma relevância enorme na vida das pessoas. A indústria dos jogos já fatura mais anualmente do que a música e o cinema juntos, antevendo-se uma expansão dos diferentes segmentos de jogos.

Nos jogos mobile, o 3D, os elementos sociais e a competição entre jogadores estão já presentes em títulos como o OSM ou o Clash Royale e serão ainda mais visíveis nos próximos anos. Nos jogos de sorte e azar, espera-se o aparecimento de novos casinos online em Portugal, levando jogos como o poker, o blackjack ou a roleta aos dispositivos tecnológicos de qualquer jogador.

As vantagens de boas-vindas destes casinos acabam por ser um benefício competitivo em relação a outras categorias de jogos, o que também ajuda a justificar o sucesso destas plataformas. A experiência providenciada já goza de um nível assinalável de imersividade, mas tecnologias como a realidade virtual ou o 4D podem levar a experiência a outra dimensão.

Outra categoria apoiada nestas tecnologias imersivas será a dos simuladores, onde o Euro Truck ou o Surgeon Simulator são casos de sucesso. Os simuladores são tecnologias que permitem, por exemplo, fazer o Tour de France pedalando numa bicicleta inteligente, colocada no meio da sala de estar ou na garagem.

O grosso das tendências suprarreferidas caminha no sentido de uma virtualização da realidade e estes jogos oferecem literalmente isso: uma experiência próxima do real, através de um simulador tecnológico. Havendo margem para alterações súbitas, os pontos descritos gozam de uma unanimidade grande em termos literários e científicos, assumindo-se ainda a probabilidade grande de vermos esta virtualização estender-se a temas como o amor, o trabalho ou a arte.

Independentemente dos acontecimentos, será sempre um futuro curioso e que valerá muito a pena descobrir.

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].