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BAT Glo: conheça o concorrente da IQOS que pode chegar a Portugal a qualquer momento

A estratégia já está definida e os produtos já estão prontos. Só falta mesmo o ‘ok’ da DGAE e um parecer da DGS para que chegue a Portugal o concorrente da IQOS, o Glo da British American Tobacco.

O mercado dos Produtos de Risco Reduzido Potencial (PRRP) ou de Tabaco Aquecido (THP) está prestes a conhecer um novo player, em Portugal. Desde que chegou ao país, em 2014, a IQOS (marca da Philip Morris International e distribuída pela Tabaqueira) nunca teve concorrência.

Mas, cinco anos depois, isso pode mudar. No entanto, a chegada de um novo player de PRRP a Portugal pode ser tarde demais, num mercado que esteve durante cinco anos “refém” de uma única alternativa.

É contra estes cinco anos de “reinado” que vai ter de lutar a British American Tobacco (detentora das marcas Dunhill e Lucky Strike, por exemplo): o objectivo é fazer entrar o sistema Glo no mercado português ainda este ano.

O Glo é uma máquina de tabaco aquecido que está na mesma linha que a IQOS, que actualmente tem três máquinas à venda em Portugal: a IQOS 2.4 e as mais recentes IQOS 2 e IQOS Multi. Mas, embora o objectivo seja o mesmo, com a mesma garantia de eliminar 95% das substâncias nocivas do tabaco convencional, a forma como o tabaco é consumido, assim como o design, é bastante diferente.

Glo BAT

No Glo, há apenas uma máquina com as dimensões semelhantes a um maço de tabaco convencional – não existe, por isso, uma “caneta” para colocar o rolo de tabaco, que no caso da BAT se chamam Neostiks (na IQOS são os Heets).

O próprio “cigarro” também é diferente: mais fino e comprido que os Heets (84 contra 45 mm), embora a quantidade seja ligeiramente a mesma, com 6,1 gramas de tabaco aquecido, sensivelmente, 0,5 mg de nicotina.

Finalmente, a forma como este consumível é aquecido também muda: no Glo, rolo de tabaco é aquecido de fora para dentro, enquanto no IQOS é uma lâmina que aquece de dentro para fora. A temperatura a que isto acontece é igualmente diferente: 350 graus na máquina da PMI e 280 nesta da BAT.

Tal como na IOQS, os maços de tabaco têm vinte unidades, diferentes aromas/sabores (já estão definidos para Portugal, mas é um informação confidencial, para já) e podem ser fumados durante cerca de três minutos.

Em relação à IQOS 3, a Glo terá uma vantagem evidente: não é preciso esperar entre consumos, ou seja, podemos fumar os vinte Neostiks sem esperar que a bateria da máquina recarregue. Isto pode ser conseguido com a IOS Multi, mas a autonomia deste equipamento só dá para consumir dez Heets.

Estas foram algumas das primeiras impressões que tivemos num encontro exclusivo que o TRENDY teve com os responsáveis ibéricos da BAT, que estiveram em Portugal para apresentar o produto.

Cristina Agudo Jorrilo (communication manager executive), Adriana Bonezzi (external affairs manager) e Pedro Fernández (director of public affairs) explicaram-nos que a entrada do Glo está dependente da… burocracia.

«Fizemos o pedido em Novembro de 2018 e agora resta-nos esperar. O dossier está com a DGAE e deram-nos um prazo teórico de quatro meses úteis, o que equivale a seis meses», contou Pedro Fernández, visivelmente incomodado com a situação.

Esta espera está a ser prejudicial para a BAT e, como foram dizendo os responsáveis, parece ser incompreensível e burocrática demais: «A Direcção Geral de Saúde também tem de emitir um parecer que, apesar de não ser vinculativo, é obrigatório», explicou o director de assuntos públicos da empresa.

O facto de já haver uma marca com um produto semelhante no mercado português parece não ajudar: se a Direção-Geral das Atividades Económicas já autorizou, há cinco anos a comercialização dos Heets e da IQOS, porque é que o processo da Glo não é mais rápido?

Pedro Fernández limitou-se a encolher os braços, a concordar e a sugerir que se fizesse essa pergunta à DGAE, uma vez que esta autoridade do Governo «não dá qualquer feedback» à BAT sobre o andamento do processo.

Assim, e com os prazos dados ainda o ano passado para a análise do Produto de Risco Reduzido Potencial da BAT, é de esperar que só depois de Maio haja novidades. Contudo, uma luz verde para a marca começar a comercializar a Glo e os Neosticks em Portugal pode «chegar a qualquer momento», lembrou Pedro Fernández, ainda que sem grandes esperanças.

Quando isto acontecer, e apesar de a BAT não poder avançar com preços, estes não devem ser muito diferentes dos praticados em países como a Grécia, por exemplo – apesar de Pedro Fernández lembrar que os mesmos são ajustados a cada mercado, tendo também em conta o valor dos impostos.

Mas, para termos uma ideia, na Grécia cada maço de Neostiks custa quatro euros (os Heets são cinquenta cêntimos mais caros) e a máquina Glo deve ficar por cerca de cinquenta euros.


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Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil e praias selvagens do Alentejo. É editor do site Trendy e faz regularmente viagens pelo País em busca dos melhores spots para fazer surf. Pode falar com ele pelo e-mail [email protected].