A Chave de Salomão

A Chave de Salomão – José Rodrigues dos Santos, Gradiva

por • 2 Dezembro, 2014 • Estrelas TRENDY ⭐️, LivrosComentários fechados em A Chave de Salomão – José Rodrigues dos Santos, Gradiva2805

O mais popular protagonista dos livros de ficção de José Rodrigues dos Santos, Tomás Noronha, regressa para mais uma aventura onde a alma e a vida além da morte é o tema central.

Depois de A Mão do Diabo (Gradiva, 2012), o historiador Tomás Noronha vê-se agora envolvido numa história marcada pelo assassinato do seu amigo Frank Bellamy, o director de Tecnologia da CIA.

Bellamy é descoberto morto no CERN, em Genebra, numa altura em que os cientistas procuram o bosão de Higgs, também conhecido por Partícula de Deus, um enredo muito semelhante a Anjos e Demónios de Dan Brown. Aliás, a escrita do escritor norte-americano é uma das grandes influências para José Rodrigues dos Santos (JRS).

O assassínio de Frank Bellamy torna-se num caso muito sério para Tomás Noronha: um papel na mão da vítima tem pistas que incriminam o historiador português. A acção, ao ritmo frenético e cativante a que JRS já nos habituou desde O Codex 632, um livro que em 2015 marca os dez anos dos livros que têm como protagonista Tomás Noronha.

Os acontecimentos que se seguem tornam-se um pesadelo para o protagonista, já que a CIA não tarda a perseguir o provável assassino de Frank Bellamy. A solução de Tomás é provar a sua inocência, sempre em movimento e numa aventura cheia de peripécias e com as longas e detalhadas descrições de ambientes, uma marca de escrita de JRS.

Mais uma vez encontramos aqui um paralelismo com um livro de Dan Brown, neste caso O Código Da Vinci. Neste livro Robert Langdon também é perseguido pela polícia depois de uma mensagem enigmática ter sido encontrada perto do corpo de Jacques Saunière, um dos membros do Priorado de Sião e amigo de Langdon.

Contudo, desde o princípio sabemos que o assassino de Saunière é Silas, situação que não acontece em A Chave de Salomão. JRS mantém, e bem, o suspense, seguindo a tradição dos seus outros livros do género, como tudo a juntar-se como peças de um puzzle apenas nas páginas finais.

Durante o livro, Tomás vai deparar-se com algumas descobertas científicas surpreendentes e depressa o foco do livro começa a virar-se para questões mais esotéricas e que põem em causa a ciência: será que a alma existe? O que acontece quando morremos? O que é a realidade?

Durante toda a trama há sempre mistérios para deslindar à medida que a acção avança e arrasta o leitor para o mundo da consciência e da natureza mais profunda do real. Ainda que seja uma obra de ficção, como todas as outras com Tomás Noronha como protagonista, A Chave de Salomão usa informação científica genuína.

Aliás, esta é outra das marcas dos livros de JRS: a história pode ser ficcionada, mas os dados científicos e os lugares são reais, fruto do estudo e da investigação realizada no terreno pelo escritor. Isto acaba por dar mais autenticidade à obra, muito mais quando se tratam de equações e leis que revelam as ligações entre a mente, a matéria e o enigma da existência.

JRS é, sem dúvida, um seguidor da escrita de Dan Brown. Se o escritor norte-americano não tivesse tido a explosão com Código Da Vinci, era difícil imaginar o pivot do Telejornal a escrever livros como A Fórmula de Deus (2006) ou O Sétimo Selo (2007).

Curioso é o facto de ambos terem escrito alguns livros antes dos seus primeiros grandes êxitos: Dan Brown já tinha lançado Fortaleza Digital e Anjos e Demónios; JRS publicara A Ilhas das Trevas e A Verdade da Guerra (na sequência da sua tese de Doutoramento).

O que acontece é que JRS conseguiu encontrar um registo próprio e cair no goto dos portugueses, além de ter uma produção literária mais profícua que Brown. Inferno não foi, para mim, um livro com a mesma vivacidade e enredo que O Símbolo Perdido, enquanto A Chave de Salomão é ligeiramente superior a A Mão do Diabo.

Infelizmente, e para mim que sou leitor assíduo das obras dos dois, nota-se uma falta de originalidade em alguns momentos da história, pelas semelhanças gerais da trama de JRS a Anjos e Demónios e Código Da Vinci. Apesar disto, A Chave de Salomão é de leitura obrigatória para os fãs do género e, sobretudo, para quem não perde um livro de José Rodrigues dos Santos.

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