São Jorge

Crítica: São Jorge

por • 9 Março, 2017 • Estrelas TRENDY ⭐️Comentários fechados em Crítica: São Jorge1249 •

Argumento: 60%

Realização : 65%

Casting : 60%

Banda Sonora : 65%

Fotografia: 90%

Com uma fotografia de excepção, do melhor que se fez em Portugal nos últimos anos, São Jorge perde-se na demasiado em cenas inconsequentes.

Resumo:

É o filme mais mediatizado dos últimos tempos; tem sido levado ao colo pela imprensa e apresentado como um retrato definitivo de um Portugal em crise. Soco no estômago ou uppercut falhado?

Uppercut falhado. Não há entrevista onde Marco Martins não fale do tempo que esteve a preparar São Jorge, com Nuno Lopes, em que os dois se passearam pelo submundo, em busca de clubes de combate e do modus operandi de empresas de cobranças difíceis.

O resultado, embora seja um excelente documentário sobre a época em que Portugal esteve sob jugo da Troika, falha na sua vertente de narrativa cinematográfica. Às vezes parece que estamos mais a ver um docudrama que uma produção feita para o grande ecrã.

Com uma fotografia de excepção, do melhor que se fez em Portugal nos últimos anos, São Jorge perde-se em demasia em cenas inconsequentes, sobretudo nas que mostram o trabalho que Lopes faz como cobrador.

É um trabalho difícil, que lhe dá a volta ao estômago, mas que é a sua única saída para dar uma vida decente ao filho; ambos vivem numa casa de um bairro social, habitada por mais umas dez pessoas, que têm em comum o mesmo drama: a falta de emprego.

O cast de São Jorge acaba por ter como base pessoas reais que, nas cenas em que aparecem, improvisam diálogos sobre as suas realidades marginais – é precisamente aqui que São Jorge entra num híbrido entre documentário e filme que não faz sentido e que impede de aprofundar mais o conflito de Jorge com os problemas da sua vida.

É também um pouco incompreensível como é que o filme tem apenas um par de cenas de boxe (uma delas é o protagonista a treinar no ginásio), quando se sabe que Nuno Lopes esteve seis meses imiscuído em clubes onde se pratica esta modalidade. A pergunta que temos a fazer é: para quê?

Quem está à espera de ver uma história consistente e que flui pelas duas horas de filme, vai ficar decepcionado, pois há vários momentos que cortam a acção e que nos podem deixar exasperados com a falta de importância que têm para a narrativa.

Parece que Nuno Lopes falou com Marco Martins sobre o seu velho sonho de fazer um filme sobre boxe. Pois, continuamos à espera que esse dia chegue e que seja, na verdade, uma das obras-primas do cinema português recente, algo que este São Jorge não consegue ser.

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